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“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que, vendo, não veem”. Existe uma mera semelhança desta frase com o famoso ditado popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Ambas expressões são análogas no clássico de José Saramago, Ensaio Sobre A Cegueira, livro capaz de provocar os sentimentos mais obscuros de qualquer ser humano – seja ele cego ou não.

Uma cegueira começa a tomar conta das pessoas. Sentado em seu carro a espera do sinal verde do semáforo, um homem é o primeiro a ser atingido pela epidemia, que logo se espalha e transforma-se em uma cadeia sucessiva, onde todas as pessoas infectadas pela doença são colocadas para viverem em quarentena.

Com o passar dos dias, o mundo torna-se cego. O mais interessante é que apenas uma mulher mantém a sua visão, sendo assim, obrigada a presenciar e visualizar todas as dificuldades horríveis de uma cegueira. Neste livro, Saramago não faz distinção em nomear seus personagens: é possível reconhecê-los por suas características e particularidades.

Primeiro cego, mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico (e a única que enxerga), a rapariga dos óculos escuros, o velho com a venda no olho e o rapazinho estrábico são os principais personagens, seguidos pelos não menos importantes, como o cego da pistola, o cego que escreve em braile, o ladrão, os soldados, a velha do primeiro andar, o cão de lágrimas, dentre outros.

O objetivo central da obra é mostrar e demonstrar a reação e os sentimentos dos humanos perante as necessidades que os envolvem em uma doença. No caso da cegueira, que tratou-se de uma epidemia e deixou a todos na mesma situação, é possível refletir o quanto somos incapazes, impotentes, desprezados e abandonados quando somos sujeitados a viver sob condições das quais não estamos acostumados.

Enfim, a mesma cegueira que surgiu subitamente, acaba da mesma forma. O resultado, porém, é a visão de um mundo devastado e destruído por pessoas sem controle. E vale ressaltar que a afirmação citada no início do texto é uma verdade absoluta que merece ser repetida todos os dias: “penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que, vendo, não veem”.

O mundo do míope é opaco, embaçado e indefinido, enquanto o mundo do cego – segundo Saramago é negro ou branco. Escuro ou claro, colorido ou definido, seja qual for a sua condição, a nossa necessidade de afeto perante as dificuldades da vida é algo completamente evidente. É neste momento que descobrimos a importância da palavra “civilização”.

Observação: o livro rendeu uma adaptação em filme, sendo dirigido pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles. Apesar da obra escrita ser incontestavelmente melhor, vale a pena conferir o longa metragem e ver com os seus próprios olhos do que o ser humano é capaz.

Fonte: Skoob.

Fonte: Skoob.

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2 pensamentos em “Ensaio Sobre a Cegueira (Saramago, José)

    • Oi Monia, tudo bem? Muito obrigada pelos elogios. Espero que minhas palavras tenham realmente influenciado e incentivado a sua leitura pelo livro do Saramago, inclusive de qualquer autor. Gostei do seu blog, ele é bastante alternativo e aborda muitas pautas interessantes; continue assim. Um abraço!

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