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Durante minhas viagens esporádicas pelas estações de metrô em São Paulo, tive a oportunidade de conhecer uma das melhores invenções do mundo: as máquinas de livros. Apesar da iniciativa ser muito bacana, poucas obras realmente chamaram a minha atenção. Em um dos meus devaneios pelos corredores, bati o olho na capa em que um homem possui uma expressão amedrontada.

Sabe aquela famosa frase “julgar um livro pela capa”? É exatamente isso o que acontece quando nos deparamos com O Bandido Que Todos Procuramos, da autora vietnamita lê thi diem thúy (escreve-se dessa forma mesmo). Eu não sei como você, leitor, “julga uma capa”, mas além da imagem frontal chamar a atenção, o título também me causou uma enorme sensação de curiosidade.

A obra autobiográfica conta a trajetória da autora, que sobreviveu a uma jornada em alto-mar para chegar aos Estados Unidos. Quando criança, teve de assistir as dificuldades de seus pais em adaptar-se ao país e em esquecer as origens e lembranças do Vietnã, o país de origem. Sua mãe, Ma, havia sido expulsa pela família por querer casar-se com um homem que era membro da Máfia, denominado Ba.

O fato mais triste da história desenrola-se acerca da morte de seu irmão, perdido e afogado nos mares do Sul da China. Bastante comum nas tradições orientais, a autora também acredita que seu espírito a acompanha por todos os lugares e diversas vezes tem momentos de confusão entre o que é e o que não é real, como no trecho abaixo.

“Eu não sei como o tempo se move nem quais das nossas tristezas ou dos nossos desejos ele é capaz de apagar. Volto depois de vinte anos ainda esperando ver o meu irmão sair do mar. Embora me levem ao cemitério no dia da chegada, nenhuma parte de mim acredita que ele esteja realmente debaixo daquele túmulo azul-claro. O nome dele, as datas do seu nascimento e da sua morte, escritos em vermelho, não o identificam de forma alguma para mim. Caminhando pelas ruas e no meio das barracas do mercado, quase tenho a sensação de que o vejo, um homem jovem caminhando ao meu lado, alguém cujo rosto talvez eu não reconheça mais, mas cujo corpo o meu corpo irá recordar. Não consigo dormir. Se ele estivesse aqui, eu deitaria a cabeça em sua barriga, e ficaríamos como dois cachorros, dormindo no calor da tarde.”

Quando se chega a última página deste curto livro de lê thi diem thúy, a impressão que temos é que o mundo é como a autora vê: um misto de beleza e dor. A perda é realmente algo irreparável e a morte, por exemplo, é ressaltada como um “sono profundo”. Os fatos, que são narrados com inocência e infantilidade, estão longe do linguajar adulto: a fantasia e a imaginação tomam conta da narrativa.

Ao mesmo instante em que a história choca nossos pensamentos, as palavras soam de forma sublime. E, por mais estranho que pareça, chegamos a mesma indagação: quem é o bandido que todos procuramos?

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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