Home

“Mas quem se interessaria pela vida de um bêbado? Outro bêbado.”

Eu nunca soube explicar porque sempre fui apaixonada por Charles Bukowski. A vida é assim mesmo: quando a gente gosta de verdade, não sabe justificar as coisas. Em meio a tanta paixão por sua linguagem, li nove livros do querido Velho Buk, que possui como principal característica o contexto autobiográfico e a linguagem violenta, livre e transparente.

Todas as suas obras retratam de temas e personagens problemáticos como prostitutas, sexo, alcoolismo, corridas de cavalos e pessoas miseráveis. As suas palavras são um retrato da pobreza em que vivenciou após a sua chegada aos Estados Unidos com três anos de idade. É difícil imaginar a vida de um alemão, filho de um soldado americano com uma jovem alemã.

Hollywood foi escrito em 1989 e retrata a experiência de Bukowski ao fazer um argumento para o filme Barfly (do diretor Barbet Schroeder), onde ele narra a história de um escritor que ganha um bom dinheiro para escrever um roteiro para o cinema. Sob o pseudônimo de Henry Chinaski, o velho Buk disserta uma parte de sua vida sempre acompanhado de sua esposa, Sarah, e muitos copos de vinho.

Quando A Dança de Jim Beam finalmente é lançado, Bukowski conhece o mundo dos famosos. Cercado de críticas e elogios, o autor vê sua trajetória ser retratada em uma enorme tela por um ator que nem ao menos é alcóolatra, Jack Bledsoe, e por uma atriz que se aproveita da situação para voltar a fama, Francine Bowers.

“Dinheiro é como sexo: parece muito mais importante quando você não tem.”

A impressão que se cria a cada livro é que todos nós somos perdedores e excluídos, independentemente se precisamos de álcool, cigarro e sexo para sobreviver. Para o nosso velho Buk, não existe final feliz. Devemos, a princípio, perder essa mania de autopiedade e sair atirando em tudo, afinal, o mundo precisa de pessoas dotadas de humor e ironia.

Apesar de ser chamado de velho safado, nojento e todos os demais adjetivos negativos (e de baixo calão) que podemos encontrar por aí, Bukowski é um apaixonado pelas mulheres e vice-versa. Chinaski teve as mais belas mulheres do mundo para si e nunca precisou de beleza para conquistá-las: até as beldades se enamoram pela decadência.

E nada mais justo que o amante das mulheres viesse a falecer um dia após o Dia Internacional das Mulheres. O sopro da vida levou o meu autor preferido em 1994 e só eu sei como queria ter conhecido o homem que a sociedade jamais foi capaz de compreender. Como diria Buk, “a vida de escritor é realmente uma merda”.

“Três coisas que o homem precisa: fé, prática e sorte.”

Fonte: L&PM Pocket

Fonte: L&PM Pocket

Anúncios

2 pensamentos em “Hollywood (Bukowski, Charles)

  1. Gostei de sua percepção acerca daquilo que o “velho Buk” contou em seus livros (tenho dois deles). Sem bom humor, não há mundo; pode haver, porém, maneta, manquitola, zarolho, demente… enfim, pronto para outro ensaio sobre a cegueira.

    Darlan M Cunha

    • Oi Darlan, tudo bem? Muito obrigada pelo elogio. Apesar de realmente não saber explicar porquê gosto tanto do Bukowski, tenho certeza que o humor dele é um dos fatores. Infelizmente, já vivemos em um mundo que parece um ensaio sobre a cegueira. Um mundo de cegos que enxergam e não querem ver…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s