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O que você faria se fosse uma advogada de sucesso e visse o homem que ama ser acusado de um crime que ele afirma não ter cometido? Iria defendê-lo mesmo se descobrisse que ele esconde um passado sangrento e cheio de farsas? Até onde iria a sua confiança e coragem? Esses questionamentos intrigantes são encontrados no livro Crimes Em Primeiro Grau, do autor e especialista em CIA e políticas internacionais, Joseph Finder.

Claire Heller é uma estrela da advocacia e professora em ascensão na Faculdade de Direito de Harvard. Após ganhar um caso extremamente importante que envolvia um estuprador, a mãe de Annie se vê em outra situação difícil de defesa. Seu marido, Thomas Chapman, ou Ronald Kubik (sua verdadeira identidade) é um desertor do Exército procurado por um massacre de civis desarmados.

Embora Heller tenha descoberto um passado cheio de mentiras, Kubik afirma que a acusação contra ele é uma armação, a fim de esconder a culpa do comandante responsável pela operação secreta, o general e chefe do Estado-Maior do Exército, William Marks. Mesmo surpresa com as novidades, a advogada arrisca defender seu marido em uma área do direito que não está acostumada a servir: a militar.

Junto com os advogados Charles Grimes e Terry Embryo, e também com o detetive Ray Devereaux, Heller consegue provas de que a acusação era realmente um complô contra Kubik. Com seu talento, a advogada consegue reunir documentos favoráveis, testemunhas importantes e inconsistências na história contada no tribunal.

No fim, Claire vence o promotor Waldren e, enfim, inocenta o seu marido. Marks e seu subcomandante comparsa, Jimmy Hernandez, são considerados os responsáveis pelo sangue derramado em El Salvador no ano de 1985. Marks não suporta a sentença e comete suicídio com uma bala na cabeça; Hernandez fica foragido até que a história toma outro rumo.

Quando tudo parecia ter entrado nos eixos, Heller descobre que Chapman (ou Kubik) também fez parte do massacre. Decidida a não suportar mais uma cadeia de mentiras, resolve entregá-lo para a polícia. Devereaux é então chamado, mas ao chegar na porta da casa da advogada, é morto a tiros por Hernandez, que aparece para rever Kubik. Heller decide, enfim, matar o seu marido com as próprias mãos e viver a sua vida em paz.

Lembro que havia dito no primeiro post deste blog que não iria resenhar os livros com afinco. Realmente cumpri minha afirmativa até então, mas não pude me conter a este. Crimes Em Primeiro Grau é uma história que envolve tudo o que mais gosto na literatura: narrativas cercadas de traição, vingança, mentiras e morte.

É de se supor que, após esta confissão, eu seja considerada uma louca. Mas justifico essa minha paixão estranha como uma forma de entender os problemas e as situações a quais não estamos imunes. Isto poderia acontecer comigo ou com você, leitor. Aliás, a prova de fogo da confiança é algo comum em nosso cotidiano. Quais são os seus critérios para acreditar?

Neste livro, Finder instiga o caráter humano, além de mostrar a capacidade do homem em refutar qualquer coisa que ele acredite que seja verdade. E é neste ponto que entramos: o que é verdade e o que é mentira? Será que existe a fidelidade absoluta ou vivemos em uma farsa completa? Contradição?

“Aquele que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir pode convencer-se de que nenhum mortal pode guardar um segredo. Se seus lábios ficarem em silêncio, ele fala com a ponta dos dedos; a traição escorre em cada poro.” (FREUD, Sigmund)

Observação: o livro foi adaptado para o cinema, com lançamento em 2002. Já adianto: pelas sinopses que li (sim, eu estou opinando sem assistir), o filme não é fiel a história e tem contextos extremamente diferentes. Arrisque e conte-me depois.

Fonte: Editora Rocco

Fonte: Editora Rocco

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