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Jamais pensei que algum dia iria ler um livro que fosse deixar meu orgulho ferido. Eu, que sempre defendi os romances britânicos como os melhores do mundo, cada vez menos consigo impor esta afirmação. Seria muita audácia dizer que existe melhor história de amor do que O Amor Nos Tempos Do Cólera, do colombiano Gabriel García Márquez.

O conjunto de fatores desta obra é apaixonante: a cadência do enredo, as características dos personagens principais, o realismo. Sabe quando você termina de ler um livro e pensa “eu queria ter escrito isso”? É exatamente dessa forma que me senti. Apesar de iniciar a leitura sem fé, arrisco-me a palpitar que o famoso Cem Anos De Solidão é tão bom quanto.

Florentino Ariza é apaixonado por Fermina Daza. O romance, alimentado por cartas durante muitos anos, não prosseguiu como comumente sabemos: a diferença de classes sociais era um agravante para os casais do século XIX. O pai de Fermina, Lorenzo Daza, ao saber disso tomou providências e despachou a filha para outra cidade com sua tia Escolástica, que a ajudava a corresponder-se escondido com Florentino.

Poderia passar horas discorrendo a perfeita história de amor vivida por Florentino Ariza e Fermina Daza. Mas, resumindo, a senhorita Daza casa-se com o médico da cidade, Juvenal Urbino, homem muito cobiçado pelas moças pois era considerado um bom partido na época. Nessas desavenças do destino, Florentino segue a vida dos amantes errôneos e se relaciona com muitas mulheres, porém, seu coração não esquecia Fermina.

Após 51 anos, nove meses e quatro dias, a tão desejada morte de Urbino chega como notícia para Ariza. Mesmo depois de meio século, Florentino conseguiu se reaproximar de Fermina e convencê-la a viajar em um dos seus navios herdados pelo tio. Apesar de tantas barreiras como o tempo, as dificuldades de aceitação, entre outros, o amor dos dois nos tempos do cólera (doença que assolava a população no momento) resistiu a tudo e todos.

Márquez conseguiu provar a importância do silêncio, denominando pouquíssimos diálogos entre os personagens e promovendo muitas descrições dos fatos. A mente é capaz de viajar através do conjunto de palavras que o autor desenvolve, capaz de nos fazer dizer “eu queria ter vivido isso” ou “quem dera fosse verdade”. Afinal, tem coisa mais difícil do que ouvir histórias de amor? Tem: falar.

Sei lá, minha opinião.

“O coração tem mais quartos que uma pensão de putas.”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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Um pensamento em “O Amor nos Tempos do Cólera (Márquez, Gabriel García)

  1. Pingback: O Deserto do Amor (Mauriac, François) | Pitacos Culturais

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