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Eu tinha cerca de 15 anos quando li o clássico Feliz Ano Velho, do querido Marcelo Rubens Paiva. A minha maturidade naquela época era bem ínfima e, apesar de achar o livro apenas divertido, sempre considerei o Paiva um grande escritor. Eis que a admiração (res)surge agora, ao devorar Bala Na Agulha em poucas horas.

O romance, como a própria sinopse diz, “é difícil de classificar”. Eu diria que trata-se de um suspense, e dos bons, aliás. Para quem não conhece Paiva, ele tem um linguajar ácido e direto, à la Bukowski, e pasmem: é brasileiro. Observação: como já confessei, tenho um desafeto e uma dificuldade para digerir a literatura nacional, mas tenho de admitir que esse cara é bom. Muito bom mesmo.

A aventura envolve Flávio Castilho, o narrador e traficante da história, que se vê envolvido em um assassinato falso em Nova York, sendo obrigado a fugir para o Brasil e pedir asilo ao seu pai, que é o novo primeiro-ministro da nação (nos tempos de governo parlamentarista). Após sua chegada, a vida dá uma reviravolta e seus problemas aumentam.

Castilho, ou Mel, ou Thomas, ou ‘puto gay’, ou traficante, seja qual seu pseudônimo, descobre uma rede de corrupção envolvendo seu pai, uma amante e alguns tiras. A narrativa e o conceito de Bala Na Agulha se baseia em fatos da realidade acerca do poder e da política, o que nos dá uma outra compreensão e visão das coisas que acontecem atualmente.

Andei lendo umas críticas na internet sobre o livro e fiquei feliz em ver a receptividade dos leitores. A princípio, há uma simpatia muito grande por Marcelo Rubens Paiva, que acumula nove títulos/obras e muitos prêmios em sua carreira. Queria confessar a minha tímida paixão pelo autor, que vem crescendo com as leituras das colunas semanais de Paiva n’O Estado de São Paulo.

Pode parecer estranho (e é estranho, eu sei), mas gosto de histórias sujas que beiram o extremo da realidade. Não consigo carregar apenas a bandeira do final feliz e acho que, às vezes, o vilão merece se dar bem também. E é por isso que sou apaixonada pela literatura, que permite a tragédia e a formalidade ao mesmo tempo, cabendo a nós, meros leitores, escolher para qual lado torcer.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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