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Esta é a segunda vez que o autor norueguês Jostein Gaarder me faz chegar na última página de um livro e pensar: “uau”. Na primeira experiência, em A Garota Das Laranjas, lembro até de ter chorado como se não houvesse amanhã. E agora, em O Dia Do Curinga, não foi muito diferente.

Não sei explicar, mas Gaarder tem um jeito único de contar histórias. E o melhor ainda: um modo diferente de fazer com que você reflita sobre muitas coisas. Lembrando também que ele faz isso com uma linguagem leve, descontraída e com a maior simplicidade do mundo.

Mas vamos lá. Um garoto chamado Hans-Thomas e seu pai decidem cruzar a Europa, da Noruega até a Grécia, em busca da mulher que os abandonou há oito anos. Durante a viagem, o jovem se depara com um livro misterioso, que contém muitos segredos sobre o destino da sua família.

A narrativa se mistura com diálogos, trechos em literatura epistolar e muita, mas muita filosofia. E não pense que é como essa “filosofia” que você aprende no Ensino Médio. Gaarder insere a filosofia em O Dia Do Curinga de uma forma natural, acrescentando várias histórias famosas de grandes pensadores gregos.

Eu gostaria de discorrer todos os capítulos do livro, mas prefiro não fazer isso. Além de correr o risco de perder algum detalhe importante, prefiro que você, leitor, mergulhe na obra e descubra se a história de Hans-Thomas e seu pai teve, ou não, um final feliz.

Quanto ao curinga, o que falar dele? Bom, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “curinga é um indivíduo versátil que se presta a múltiplas e diferentes funções”. No livro, o personagem principal não seria diferente. Ele age apenas com um propósito: para mostrar às pessoas a importância de não se acomodar.

Gaarder, no meu ponto de vista, teve o objetivo de instigar o leitor a se perguntar sobre a sua origem, seu passado. Já parou para pesquisar sobre as vidas além do seu avós (pais dos seus pais)? Quem foram eles, o que fizeram, qual a trajetória e como você interfere na sucessão desta árvore genealógica?

Em resumo, O Dia Do Curinga desperta a imaginação de uma forma adulta. Inclusive, poderíamos comparar esta obra com o clássico de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe, que traz reflexões válidas para as pessoas de qualquer idade. “Quem quer entender o destino, tem de sobreviver à ele”. Você nunca mais vai enxergar um baralho como antes.

 “- O ano tem cinquenta e duas semanas, ou seja, uma semana para cada carta do baralho.
Comecei a fazer contas.
– Sete vezes cinquenta e dois são trezentos e sessenta e quatro – disse eu.
– Exatamente. Só que o ano tem trezentos e sessenta e cinco dias. E esse dia sobressalente, nós o chamamos de “dia do curinga”. Ele não pertence a mês nenhum e também a nenhuma semana. É um dia suplementar, extra, por assim dizer, em que tudo é possível. E a cada quatro anos temos dois dias do curinga.
– Muito refinado…
– Essas cinquenta e duas semanas, ou “cartas”, como as chamei, distribuem-se por treze meses, cada um com vinte e oito dias. Assim, se multiplicarmos treze por vinte e oito também teremos trezentos e sessenta e quatro.
O primeiro mês é de ás, o último de rei. E como temos um intervalo de quatro anos entre o duplo dia do curinga, esse intervalo começa com o ano de ouros, depois vem o de paus, depois o de copas e finalmente o de espadas. Dessa forma, cada carta tem a sua semana e o seu mês.”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “O Dia do Curinga (Gaarder, Jostein)

    • Olá Arthur! Fico feliz em saber que instiguei alguém a procurar meu blog. Está bem simples, mas foi feito de coração. Obrigada por entrar em contato e vamos trocar mais figurinhas lá no fórum, que tal? Beijos. 🙂

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