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Perguntaram pra mim: “por que você gosta tanto de livros clássicos?” Na minha opinião, história boa é aquela que não envelhece nunca. Nada melhor do que mergulhar em uma narrativa escrita nos séculos anteriores e sentir que as palavras não perderam validade após tanto tempo.

A princípio, embarcar no livro Vigiar E Punir, do filósofo francês Michel Foucault, parecia uma loucura desmedida. Depois, tive a certeza. Logo no primeiro capítulo temos um conflito social em nossas mentes. Se você é o tipo de leitor que tem um imaginário fértil, é bem provável que a obra perturbe o seu raciocínio.

O livro traça uma linha do tempo dos sistemas penais e dos métodos coercitivos e punitivos. Como todos sabem, atualmente, a sociedade vive sob a vigilância daqueles que detém poder e, quem não obedecer às regras, é punido imediatamente. A principal reflexão que Foucault quer deixar claro é que tudo ao nosso redor é uma espécie de prisão. Engana-se quem pensa que o cárcere é o antônimo de liberdade.

Relembrando as aulas de história, sabemos que o início do século XVIII foi marcado pela punição aberta, onde as pessoas eram condenadas em praça pública. Somente no século XIX criaram-se as prisões, cujo objetivo é tratar o criminoso de forma mais humana, aproveitando o seu processo produtivo como método de pagamento ao crime.

Chegamos agora ao ponto essencial do livro: a disciplina. Você sabia que aquilo que a sociedade impõe como necessário é, para Foucault, a pior das punições? Nas escolas, fábricas e nos hospitais, por exemplo, vemos as pessoas serem adestradas, observadas e controladas. Ao individualizar a sociedade, o corpo é treinado para pensar no essencial, o que faz com que a vida pareça um cárcere sem termos cometido crime algum.

E a prisão? Será mesmo que a reclusão traz algum benefício para o culpado? A crítica que o autor faz em Vigiar E Punir, escrito em 1975, é válida para os dias atuais: o governo dá mais importância para os criminosos do que para a sociedade civil que cumpre as suas obrigações. Quem é preso tem direito a alimentação, saúde e emprego, enquanto as “pessoas de bem” são deixadas de lado. Por que ocorre esta diferença?

Bom, apesar de não ter conhecimento em filosofia, não é preciso Ensino Superior para saber que o sistema penal é um dos responsáveis pela criação de delinquentes. “O efeito da criminalidade é resultado do processo de vigilância que ocorre com a sociedade”, afirma Foucault. Complexo…

Observação: leitura cansativa (não sinta culpa se tiver vontade de abandonar o livro).

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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Um pensamento em “Vigiar e Punir (Foucault, Michel)

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