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É possível que um romance escrito e publicado na década de 80 consiga retratar uma história que se passa no século XVIII? Parece improvável, mas o autor alemão Patrick Süskind provou o contrário. Quem puder experimentar a obra O Perfume, perceberá que o autor consegue narrar (com maestria!) os fatos antigos em um linguajar jovem e atual.

A história de Jean-Baptiste Grenouille é retratada na França. Grenouille é um homem com um dom especial: ele possui o olfato extremamente apurado, o que lhe permite que reconheça todos os tipos de odores existentes. Apesar da sua feiura agravada devido a doenças e acidentes, o jovem rapaz contentava-se com o conhecimento desenvolvido que possuía.

Trabalhou com serviços pesados e ingratos por um bom tempo de sua vida. Depois, conseguiu um emprego de aprendiz na perfumaria mais renomada de Paris, onde aperfeiçoou o seu dom com as técnicas para a criação de perfumes. Foi este aprendizado que fez com que Grenouille inventasse os melhores aromas e também tivesse os desejos mais estranhos.

Grenouille descobriu que era possível fazer perfumes com os odores que as mulheres exalavam. Certo dia, matou uma jovem para se apoderar do cheiro que ela possuía. Desde então, assassinou várias mulheres em busca do aroma perfeito. Quando foi descoberto pela polícia, Grenouille já tinha a fórmula do perfume que tanto procurava.

O momento, que deveria ilustrar o fim do personagem, é movido por uma reviravolta: ele conseguiu escapar da execução planejada pela justiça francesa. O cadafalso, comum em Paris no século XVIII, foi a punição escolhida para o homem que matou 26 mulheres sem justificativa. É neste momento que entra o misticismo da história: como Grenouille consegue sair impune dos crimes? Ele estava com um perfume que fazia as pessoas sentirem misericórdia.

O final surpreendente de Süskind decide, nas páginas finais, que a morte é o destino do personagem. Mas não uma morte qualquer. O autor termina a história com Grenouille sendo devorado por 30 pessoas; ele finalmente conseguiu criar o perfume que tanto desejou durante toda a sua vida: a fórmula do amor.

É impressionante como Süskind consegue desenvolver a história de Grenouille. Um personagem que é difícil se apaixonar, de compreender ou simplesmente entender. O leitor percorre as mais de 200 páginas e, somente na última, consegue sentir comiseração e relacionar todos os fatos entre si. Ao fechar o livro, fica explícito (e imposto) a crítica principal de O Perfume: “até onde vai a hipocrisia humana?”. Ou “o amor é um suicídio”. Fico com a segunda opção.

Vale a pena refletir.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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