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Mais uma vez, a simplicidade e a delicadeza das palavras da autora chinesa Xinran me fizeram terminar um livro aos prantos. Depois de As Boas Mulheres Da China e Enterro Celestial, a obra escolhida foi As Filhas Sem Nome, tão emocionante quanto os outros títulos.

Baseado em histórias reais, As Filhas Sem Nome narra a trajetória do camponês Li Zhongguo, que era considerado uma “desgraça” pela população de Anhui por ser pai de seis meninas (na China, quem não tem filhos fortes e provedores são considerados infelizes). Ele sentia tanta vergonha disso que nomeou as suas filhas na ordem numérica de cada nascimento.

Quando jovens, as filhas Três, Cinco e Seis surpreenderam a família com a notícia de que iriam largar a vida no campo para trabalhar na cidade de Nanjing. Mesmo com a falta de experiência – inclusive estudos – e a ignorância, as irmãs descobrem qualquer camponês pode dar a volta por cima na vida em um mundo globalizado.

Três, a mais velha das irmãs destemidas, desenvolve suas habilidades em um restaurante; enquanto Cinco, a filha analfabeta, descobre seus conhecimentos para trabalhar em um centro de medicina milenar; já a Seis, a única filha intelectual, teve a sorte de arrumar um emprego numa casa de chá para leitores.

Apesar de parecer um conto de fadas do século XXI, o sentimento de surrealidade toma conta do leitor durante a leitura de As Filhas Sem Nome. Sabe aquelas aulas no Ensino Médio sobre a rigidez do sistema político e social da China? Tive a impressão de que a situação é mais grave do que eu pensava.

Na China, as mulheres sofrem muitas restrições e preconceitos por questões e âmbitos de caráter revolucionário. Lá, os homens ainda exercem grande poder e força na sociedade. No livro, Xinran explora bastante esse lado negativo do País, o que nos faz entrar em uma viagem surreal sobre como algumas nações lidam com certas questões que, para nós, são resolvidas e tratadas de forma diferente.

Em vários momentos, pude sentir uma enorme tristeza durante os capítulos. Um sentimento de prepotência mesmo, sabe. Não tinha ideia do quanto algumas regras me pareceriam absurdas, mas, em vez de ficar com raiva, senti comiseração das três irmãs. O contraste de realidades, muitas vezes, machuca. E como machuca.

Mais do que uma viagem sobre a cultura chinesa, o livro de Xinran é um mundo pararelo para ser explorado infinitamente. E para pensar em como a ignorância atrasa o crescimento de qualquer ser humano.

Fonte: Companhia Das Letras

Fonte: Companhia Das Letras

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