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35 dias. Em meio a tanta correria injustificável, fico até sem palavras para explicar o porquê desse sumiço. Antes de começar o texto, queria confessar que ando sem tanta paciência para ler (e escrever). Sim, eu sei o quão triste isso é. Mas, às vezes esses momentos são necessários na vida de um leitor. Pausas para colocar as coisas em ordem, se é que vocês me entendem.

No entanto, a demora para ler Meu Nome É Vermelho, do renomado turco Orhan Pamuk, trouxe um pouco de ânimo para o meu hobby literário. Até então, nunca tive a oportunidade de explorar os talentos da literatura oriente que, como vocês sabem, não são tão conhecidas por nós, que vivemos alienados nesse mundinho americano-barra-britânico.

Pra começar com o pé direito, a narrativa possui dois pontos positivos: o contexto policial e uma história totalmente baseada na cultura oriental. Como a trama se passa em Istambul, uma das maiores cidades da Turquia, o livro possui muitos preceitos e temáticas religiosas que envolvem o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. Ou seja, é preciso embarcar na aventura de mente aberta.

Os capítulos são sempre narrados em primeira pessoa e tentam mostrar os diversos lados da história do assassinato de dois artistas renomados da cidade. Por diversos momentos, o leitor se vê em um beco sem saída, tentando adivinhar quem poderia ser o responsável pela morte dos mestres que desafiaram a superioridade da religião islâmica.

Como se não bastasse, Meu Nome É Vermelho ainda dá espaço para um romance que ultrapassa as barreiras do tempo, mostrando que o sentimento é capaz de fazer as pessoas derramarem sangue por ele. Nesse meio tempo, anotei o questionamento que Pamuk deixa explícito. Quem seria capaz de responder a dúvida abaixo?

“É o amor que torna a gente idiota ou só os cretinos se apaixonam?”

Sim, a pergunta envolve muitas discussões. E acredito que a resposta está baseada no seguinte fato: de que lado você está? Quem está apaixonado, provavelmente responde a primeira opção, assim como os que não estão apaixonados (ou estão em uma desilusão amorosa), consequentemente respondem a segunda opção.

Enquanto você pensa na minha hipótese, eu volto a falar do livro: poucos autores possuem a sensibilidade de retratar o amor com maestria, apesar de toda a dor que vêm junto dele. Meu Nome É Vermelho mostra o quão estamos errados sobre ele. A grande lição que ficou após a leitura desse livro foi: o amor dói. E como dói.

“[…] o homem, qualquer que seja o amor, sempre acaba esquecendo um rosto que fica muito tempo sem ver.”

“Conhecer é lembrar-se do que viu. Ver é reconhecer o que se esqueceu.”

“[…] o amor é o dom de tornar visível o invisível e o desejo de sempre sentir o invisível próximo de si.”

“[…] o tempo não passa se você não sonha.”

Fonte: Colmeia

Fonte: Colmeia

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