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Estava aqui pensando com os meus botões: quantas vezes já chorei com um livro? Fiz as contas e percebi que não chega a preencher os dedos de uma mão. Ou seja, das duas, uma: sou insensível demais ou os autores estão trabalhando pouco a sensibilidade dos leitores. Fico com a primeira opção.

Depois de um bom tempo sem ler algo relacionado à literatura infantil, decidi mudar de ares e embarcar em alguma leitura do tipo. Chega de crimes, traições e mistérios por um tempo. Por sorte, escolhi o aclamado livro vencedor do Prêmio Astrid Lindgren em 2006, intitulado Ponte Para Terabítia, da americana Katherine Paterson.

O nome não lhe é estranho, não é mesmo? Como vocês devem estar cansados de saber, eu sempre fui bastante atrasada quando o assunto é cinema. Mesmo sabendo da existência do filme com o mesmo nome e não tendo assistido, acredito que a história original é tão capaz de despertar os mesmos sentimentos que uma tela 4:3 e som surround consegue proporcionar.

Lembra-se da minha pergunta no primeiro parágrafo? Comecei o texto desta forma porque queria que vocês soubessem que, pela primeira vez, eu senti na pele o poder de uma história. Já fiquei emocionada com diversos livros, mas, confesso que virar as páginas aos prantos é uma grande novidade para mim. Difícil de admitir, aliás.

“Antes de chegar a hora e a gente viver uma coisa, nunca dá mesmo para saber como é que vai ser.”

Jesse Aarons é um garoto de dez anos que adora desenhar e o único menino de uma família que pode lhe proporcionar a experiência de ter quatro irmãs de características bem diferentes. O seu grande sonho, em plena quinta série, é ser o aluno mais rápido das corridas que ocorriam durante o intervalo da sua escola.

Em um desses campeonatos no recreio, Aarons conhece Leslie Burke, a nova aluna da sua turma e a única menina a pedir para participar das corridas que, até então, só os meninos podiam correr. Apesar da derrota após um Verão de treinamentos, Aarons descobre em Burke uma amiga em potencial, visto que ela era sua mais nova vizinha e diferente de todas as meninas de sua idade.

Perto de onde moram, Aarons e Burke descobrem um lugar na floresta perto de um riacho onde podem brincar à vontade, transportando-se para um mundo mágico chamado Terabítia. Lá, eles são rei e rainha de um palácio fantástico que ganha vida a cada viagem nele. Desde então, os dois personagens mostram como a amizade é capaz de nos fazer esquecer problemas e enfrentar situações que jamais teríamos coragem de seguir sozinhos.

Um dia, Aarons decide não ir para a floresta com Burke e Príncipe Terriano – o cachorrinho que ele deu para Leslie como presente de Natal – e vai para um passeio com a Mrs. Edmunds, a professora de música da Escola Primária de Córrego da Cotovia.

Ao chegar em casa, ele se depara com a triste notícia de que Burke tinha ido para Terabítia sozinha e o balanço de corda que sempre brincavam arrebentou-se, fazendo com Burke batesse a cabeça e morresse afogada no riacho que tinha aumentado de fluxo com o volume das chuvas comuns nas férias escolares.

É difícil explicar como uma criança de dez anos pode lidar com a morte de forma positiva do que um adulto de 30 anos. Apesar da tristeza por ter perdido a sua melhor amiga, o personagem Aarons mostra que a coragem surge dos momentos mais inesperados de nossas vidas e que as forças vêm de pessoas que nunca esperamos. Perder é, com certeza, um dos piores verbos do dicionário.

Neste caso, Ponte Para Terabítia é como se fosse aquela praça que gostamos de ir para ver o pôr-do-sol ou aquele pedacinho de mar que corremos para ver aos finais de semana com feriado. Leslie Burke é aquela pessoa que sempre nos oferece qualquer convite para sair, que nos faz criar coragem para enfrentar as situações com um outro olhar. Jess Aarons é aquele cara cheio de medos, que não lê 50 livros por ano, mas sabe que um café às 17h sempre cai bem.

Deixei este parágrafo para falar que existem dois tipos de pessoa no mundo que devemos prestar mais atenção: as que não nos fazem ver a hora passar e as que nós não queríamos que a hora passasse. Se você não conhece ninguém assim, faça o possível para ser essa pessoa para os outros.

Obrigada pela história, Katherine Paterson.

“Às vezes, tinha a impressão de que sua vida era delicada como aquela florzinha do mato que chamam de dente-de-leão. Bastava um soprinho à toa, em qualquer direção, e tudo se desmancharia.”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “Ponte Para Terabítia (Paterson, Katherine)

  1. Oi Luciane, legal você estar seguindo meu blog, bem, Ponte Para Terabítia assisti em filme, e adorei, muito, é um dos filmes recentemente vistos e marcantes, daqueles de ficar pensando por um bom tempo após o seu término, acontece comigo quando leio alguns livros, um destes foi Mais Que Amigos da Barbara Delinsky. Abraços.

    • Oi Mauro! Gostei muito do seu blog, vi semelhanças com o meu e por isso estou seguindo. rsrs

      Eu ainda não vi o filme. Só li o livro mesmo. É realmente uma história para refletir… Nunca li nada da Barbara Delinsky. Vou incluir algo esse ano se puder. Um abraço! 🙂

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