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“- Adianta escrever, se ninguém vai ler? – Adianta, sempre.”

Um misto de Charles Bukowski com Henry Miller, às vezes lembrando até um pouco de João Ubaldo Ribeiro. Os moralistas que se cuidem, porque a sexualidade, um dos temas mais polêmicos da literatura antiga e também moderna, ainda continua sendo uma deliciosa pauta para as rodas de bares, bate-papos na cafeteria e leituras solitárias.

“Nada temos a temer. Exceto as palavras.”

Confesso que fiquei bastante surpresa (e contente) por encontrar um autor brasileiro que tivesse tamanha semelhança com a forma de escrita de um dos meus escritores preferidos. Digo isso porque, como vocês sabem, sou uma analfabeta quando o assunto é literatura nacional.

“Mas sabia duas coisas: a) que cem palavras numa carta valem mais do que mil sopradas no ouvido, e b) que todo mundo gosta de ouvir falar de si, e a astrologia é o melhor de todos os pretextos.”

A aventura desta vez foi o romance O Caso Morel, do carioca Rubem Fonseca. Paul Morel, o protagonista que leva o nome do livro, é um artista plástico e fotógrafo que resolve escrever uma biografia com a ajuda de Vilela, um delegado aposentado. Aficionado por sexo, mulheres, bebidas e drogas, Morel é um personagem que carrega uma imagem crítica da burguesia, da publicidade e dos relacionamentos.

“Suspeito que o universo não é apenas mais estranho do que supomos: é mais estranho do que somos capazes de supor.”

Publicado em 1973, podemos perceber que o sexo ainda é um tema considerado um tabu pela sociedade. Hoje, mais de quatro décadas depois, existe uma grande discussão sobre a literatura pornográfica e a erótica que, ao meu ponto de vista, possuem a mesma significação, só que a sociedade prefere adotar um termo.

“Nós humanos carregamos dentro de nós as sementes, continuamente alimentadas, de nossa própria destruição. Precisamos amar, assim como odiar. Destruir, e também criar e proteger.”

“Quanto mais comemos mais gostamos de comida e queremos comer. Assim também com o sexo, nunca se atinge um ponto de saturação.”

Uma das grandes diferenças entre a literatura erótica atual, vulgo Cinquenta Tons, versus a literatura erótica antiga é que os grandes mestres, como Bukowski (principalmente) e Miller, escreviam a realidade de forma mais tangível. Ficar bêbado, perder o emprego, se apaixonar por mais de uma mulher, passar fome, entre outras situações, são características que fazem com que o leitor se sinta mais humano. N’o Caso Morel, Fonseca deixa bem nítido isso.

“A vida é um vazio que tem de ser preenchido diariamente com sacrifícios.”

“Pobre sempre se fode.”

Fonte: Biblioteca Folha

Fonte: Biblioteca Folha

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