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Eu sempre achei engraçado a expressão de surpresa das pessoas ao ouvirem que não gosto de filmes. Sempre rola um misto de indignação com incredulidade, como se o fato de não ser fã das telonas fosse um crime. Ao contrário do que muitos pensam, já fui uma grande apreciadora da sétima arte e só perdi o brilho nos olhos pela atividade quando me encontrei na literatura. Nada mal, não é mesmo?

“Se você soubesse que há alguém em algum lugar por aí a pé com dois milhões de dólares seus, em que momento pararia de procurar? Isso mesmo. Esse momento não existe.”

“Llewelyn? O quê. Não machuque ninguém. Está ouvindo? Ele ficou ali com a sacola pendurada no ombro. Não vou prometer nada, ele disse. É assim que você se machuca.”

 No ano passado, resolvi fazer uma maratona de filmes na semana do Natal, já que tinha ficado doente e estava sem pique para embarcar em alguma aventura literária. Entre os mais de 10 filmes alugados (sim, eu ainda alugo filmes), estava o renomado vencedor do Oscar em 2008: Onde Os Fracos Não Têm Vez.

 “As pessoas acham que sabem o que querem mas em geral não sabem.”

“Hoje você fala com as pessoas sobre certo e errado e provavelmente elas vão rir de você. Mas eu nunca tive muitas dúvidas sobre coisas desse tipo. No que eu penso sobre coisas desse tipo. Espero nunca ter.”

Lembro que eu e meu pai assistimos ao filme com os olhos vidrados na nova televisão de 42 polegadas, mas ficamos com aquela sensação de horror por temos visto tanta violência e sangue em apenas 122 minutos. E o pior de tudo: não havíamos entendido nada da história e eu só queria saber cada vez mais o porquê de tanto prestígio. Sendo assim, como uma boa jornalista, fui atrás da versão original: o livro de Cormac McCarthy.

“Às vezes aparece um probleminha e você não resolve e de repente já não é mais um probleminha. Entende o que estou te dizendo?”

“Espero que você esteja certo. Confie em mim, Moss disse. Detesto ouvir essas palavras, o motorista disse. Sempre detestei. Alguma vez já disse? Já. Já disse. Foi assim que eu descobri o quanto elas valem.”

Se você não assistiu ao filme, sugiro que assista. E, se você não leu o livro, sugiro que leia. Necessariamente nesta ordem (ou não). Dizem que a primeira impressão é a que fica e, no caso de Onde Os Velhos Não Têm Vez (isso mesmo, o nome do filme é diferente do livro), não poderia ter sido melhor a experiência contrária. Afinal, toda aquela má impressão e incompreensão foram embora após a leitura.

“Uma das coisas que você descobre sobre ficar mais velho é que nem todo mundo vai envelhecer junto com você.”

“Meu pai sempre me disse para apenas fazer o melhor que puder e dizer a verdade. Dizia que não havia nada capaz de deixar um homem com a mente mais tranquila do que acordar pela manhã e não ter que tentar decidir quem você é. E se você fez alguma coisa errada apenas se levante e diga que fez e que sente muito e siga em frente. Não arraste as coisas junto com você.”

Acredito que cada leitor/espectador terá uma visão diferente sobre a obra. Uns dirão que é mais uma western sobre vingança, outros dirão que é mais um sucesso Hollywoodiano com humor ácido. No meu ponto de vista, o principal ponto positivo da história de McCarthy é a quantidade de personagens. Meu professor de violão costuma dizer que as melhores canções são feitas com o menor número de acordes e acho que isso também vale para a literatura e o cinema.

“Você se cansa, Ed Tom. Durante todo o tempo em que fica tentando recuperar o que tiraram de você há mais coisas saindo pela porta. Depois de um tempo você apenas tenta colocar um torniquete.”

“[…] porque acredito que tudo o que você faz na vida volta pra você. Se viver o suficiente volta.”

Eu diria que, por se tratar de uma história com poucos e bons personagens (é sempre importante relembrar que quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade, mas…), Onde Os Velhos Não Têm Vez é, a partir de hoje, a minha obra preferida (desculpas, Bukowski). Por isso, convido você, querido leitor deste blog, a tomar um café comigo para que eu possa te convencer o porquê. Ou melhor, para apenas termos o simples prazer de tomar um café.

Você acredita em amor à primeira vista? Eu acredito. Faça a sua escolha: cara ou coroa?

“Acho que às vezes as pessoas prefeririam ter uma resposta ruim sobre certas coisas do que nenhuma resposta em absoluto.”

 

Fonte: Ponto Frio

Fonte: Ponto Frio

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Um pensamento em “Onde os Velhos Não Têm Vez (McCarthy, Cormac)

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