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“(…) queria que visse o que é verdadeira coragem, em vez de pensar que coragem é um homem com uma arma nas mãos. Coragem é saber que estamos perdendo a partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até o fim. Raramente se ganha, mas às vezes conseguimos.”

Quem convive comigo já deve ter reparado que tenho o costume de dizer que o universo sempre conspira a nosso favor. Sem balela mesmo, gente. Acho que a vida é uma coisa impressionante (desculpas, não achei um adjetivo melhor do que esse) e, no meu caso, um bocado justa. Não dá pra reclamar, vai. As coisas têm acontecido de forma bem satisfatória.

Em fevereiro, eu havia comentado que sempre acho que o nosso estado de espírito influencia em todas as atividades cotidianas que desenvolvemos. Acho também que um livro, em sua simplicidade, consegue influenciar o nosso modo de ver as coisas. Dá para ficar triste e feliz em apenas alguns minutos de leitura. E também dá para levar um pouquinho de cada história conosco, mesmo após a última página.

Foi mais ou menos o que aconteceu comigo quando decidi embarcar no livro O Sol É Para Todos, da americana Harper Lee (desculpas novamente, pois só agora descobri que Harper é uma mulher). Apesar do tom humorístico ser predominante na obra, esse romance vencedor (e merecedor, diga-se de passagem) do Pulitzer aborda um cenário muito comum nos dias atuais: injustiça racial e social.

E qual a melhor forma de abordar o assunto? Com a inocência de duas crianças, com idades, gêneros e gênios completamente diferentes. Jem e Scout são filhos do advogado Atticus Finch e moram na cidade de Maycomb, no sul dos Estados Unidos. Jem é o irmão mais velho, com espírito protetor, enquanto Scout é a mais nova, com uma curiosidade e esperteza fora de série. Ambos são cuidados por Calpurnia, uma moça negra que, além de ajudar nas necessidades básicas, também deixa muitos ensinamentos para os personagens.

O enredo do livro se divide em dois pontos principais. As peripécias infantis retratadas e contadas por Scout, com diversas situações cômicas e um tanto semelhante com a nossa infância. Por outro lado, a incompreensão de duas crianças e uma cidade inteira por Finch defender um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Os dois assuntos se casam de forma espetacular e, a cada página, Lee separa grandes aventuras, surpresas, descobertas e muitos ensinamentos.

É um tanto triste perceber que uma narrativa que se passa na década de 30 possa fazer tanto sentido nos tempos atuais. Cada personagem em O Sol É Para Todos pode ser visto nas esquinas, nos bares, no trabalho, em qualquer lugar. O que só demonstra que sempre precisamos renovar as nossas doses de empatia, tolerância e respeito ao próximo. Sim, é difícil. Mas, estar aberto a novas ideias é a chave principal para um mundo cada vez melhor.

Dizem que um livro pode mudar vidas. E eu posso dizer que não são os livros que mudam a gente. São os personagens. São as pessoas.

“Cheguei a conclusão de que as pessoas eram estranhas, por isso, fui me afastando delas e só pensava nelas quando a isso era obrigada.”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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Um pensamento em “O Sol é Para Todos (Lee, Harper)

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