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Antes de começar a escrever esse texto, estive aqui pensando o que me faz abandonar um livro. Ou melhor, o que me faz insistir em um livro. Isso, é isso que eu estava pensando. Acho que nem preciso dizer que o orgulho é um dos motivos, mas, desta vez, o sentimento de esperança (não sei se essa seria a palavra certa) foi um dos responsáveis a evitar mais uma desistência literária. Se você nunca passou por isso, pode ter certeza que esse dia chegará.

“A essência de alguém biruta é, primeiro, acreditar que todos os problemas do mundo podem ser resumidos a um só, passível de solução. E, em segundo lugar, falar sobre o assunto sem parar.”

Comecei a leitura de Solar, do britânico Ian McEwan, com bastante entusiasmo. Afinal, os primeiros capítulos de uma obra são cruciais na vida de um leitor que está começando uma aventura literária sem ter passado os olhos pela sinopse. A partir do momento em que ele conhece os primeiros personagens, ele define o seu grau de vontade em prosseguir com a leitura ou não. Não sei como é com vocês, mas, no meu caso, funciona mais ou menos assim.

“Era por isso que ele não gostava das pessoas que se envolviam em política: a injustiça e a calamidade as animavam, eram uma fonte de nutrição, a seiva vital, lhes davam prazer.”

Queria fazer uma baita resenha pra vocês sobre esse livro, mas fiquei um bocado intimidada. Porque eu vou ser bem sincera mesmo: não sei se entendi a história como ela deveria ser entendida. Pra mim, Solar foi um dos livros mais confusos que já me aventurei e confesso que o excesso de personagens e situações fizeram com que eu me perdesse em vários momentos.

“A verdade é invencível.”

Mesmo assim, vou tentar resumir em um parágrafo o (pouco) que eu entendi. Michael Beard é um renomado cientista e vencedor de um Prêmio Nobel de Física (isso é o que vocês lerão com muita repetição, já adianto). Seu jeito sarcástico e cínico é facilmente identificado nas páginas, bem como o seu jeito sacana de ser e lidar com relacionamentos. Em seu quinto casamento, muda de postura e não aceita as traições de Patrice, que também tinha que superar as infidelidades de Beard.

“Chegar atrasado era uma forma moderna de sofrimento, com uma mistura de tensão crescente, culpa, autocomiseração, misantropia e a vontade de fazer algo que só era possível na física teórica – reverter a flecha do tempo.”

Por diversas vezes, o leitor é colocado em duas situações totalmente diversas: o aquecimento global e as peripécias passionais de Beard em plena terceira idade. A mistura dos dois, por vezes, é um tanto divertida. Mas, na minha opinião, os assuntos podem confundir facilmente a cabeça do leitor.

“Não se importava mais com que os outros pensavam dele. Envelhecer trazia poucas vantagens, mas essa era uma delas.”

De qualquer forma, a moral da narrativa de McEwan é bem visível e pode ser definida de diversas formas. Uma delas é a famosa “quem tudo quer, nada tem”. Outra forma também identificada é “tudo o que você faz, volta pra você”. Sabe aquele papo de domingo na casa da vovó? É basicamente isso o que você vê nas mais de 300 páginas de Solar. A diferença é que nem sempre as histórias tem finais felizes. E é por isso que eu gostei do Ian.

“Ninguém pode prever qual das irritações da vida será favorecida pela insônia. Até mesmo à luz do dia, em condições perfeitas, as pessoas raramente têm a liberdade de escolher com que vão se preocupar.”

Fonte: Companhia das Letras

Fonte: Companhia das Letras

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Um pensamento em “Solar (McEwan, Ian)

  1. Pingback: Enclausurado (Ian McEwan) | Pitacos Culturais

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