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187 livros. Essa é a quantidade de obras que você pode encontrar em minha biblioteca no Skoob. Olhando assim de relance, o número pode assustar os mais novatos leitores e até, quem sabe, os veteranos. Mas, a verdade é que a minha jornada literária tem sido cada vez mais desafiadora. Isso mesmo: de-sa-fi-a-do-ra.

Em 2013, eu havia estipulado um objetivo um tanto quanto audacioso: devorar todos os clássicos da literatura. De Ilíada, do Homero, a Macunaíma, do Mario de Andrade. A missão segue firme e forte até hoje, mas está longe de ser cumprida. Durante essa longa jornada, me dou ao direito de embarcar em outras aventuras literárias, porque, afinal, ninguém é de ferro.

Existe uma coisa que todo leitor gosta de fazer que é prometer que vai ler a obra que alguém recomendou. Se você nunca fez isso, provavelmente não sabe que isso é inconsciente e que a gente não faz por maldade. A gente tem uns critérios bem doidos na hora de tirar um livro da estante e só Deus sabe porque somos assim. Mesmo assim, seguimos com essa promessa como se fosse dinheiro emprestado: fingimos esquecer de pagá-la, mas nunca esquecemos.

Faz um bom tempo que o clássico 2001: Uma Odisseia No Espaço, do britânico Arthur C. Clarke, está em minhas anotações. Desde que eu me entendo por leitora, três pessoas, sim, eu disse TRÊS PESSOAS, me recomendaram-na. Partindo desse princípio, eu chego a conclusão de que nesse mato tem cachorro e que tenho duas opções: 1- não ler e 2- ler. Simples. Apertei a tecla 2 e fui ser feliz.

Bom, se essa é a primeira vez que você acessa um post dos Pitacos Culturais, não deve saber que aqui é um espaço pra divagar. Tipo uma mesa de bar, entende? Aqui não tem spoiler, portanto, se você estava esperando por isso, pode fechar a janela. Sem dó mesmo. Porque a vida é muito curta para você ficar tentando convencer as pessoas a lerem um livro só porque “ah, meu Deus, tem tecnologia, homens no espaço, naves, futuro, virou filme do Kubrick e o escambau”.

Se eu tivesse que te convencer a ler esse livro, diria “meu amigo, não leia”. Porque psicologia reversa funciona muito mais do que um milhão de argumentos bonitos. Se as três pessoas que me indicaram-na tivessem dito o contrário, tenho certeza que essa obra estaria na minha biblioteca faz tempo, gente. E isso não é uma crítica a essas três almas bondosas que tentaram abrir meus olhos. Longe disso. É um desabafo de uma leitora que sofre da síndrome do Prometo-Não-Nego-Leio-Se-Puder.

Mas, vamos ao que interessa. O que eu realmente achei de 2001: Uma Odisseia No Espaço? É uma obra que foge da minha concepção de que “todo livro de ficção científica é uma pedra no sapato”. Eu nunca fui fã desse gênero, confesso. E aquelas siglas, expressões e contextos específicos sempre me deram uma grande angústia. Mas, a gente nunca sabe quando vai ser surpreendido, não é mesmo?

Estava olhando em minha estante no Skoob e acho que é a segunda vez que passo por essa experiência espacial-barra-literária. A primeira foi com Gravidade, da americana Tess Gerritsen. Portanto, fui com bastante sede na obra de Clarke. 2001: Uma Odisseia No Espaço é um livro bom (dos bons mesmo!), que não deixa a desejar, mas que demorou muito tempo para prender a minha atenção.

Em outra resenha, eu havia dito que “sempre costumo dizer que não existem livros bons ou ruins. Quer dizer, existem sim. Mas, que na minha escala de opinião, “bom” ou “ruim” está bem mais próximo do nível de interpretação que consegui ter da obra do que a verdadeira qualidade do autor.” Bom, a obra de Clarke está bem longe de ser uma ficção científica de difícil entendimento, por motivos de:

1- O vocabulário é simples, mas com aquela pegada bem típica do gênero;
2- O livro é dividido em quatro seções, levando a mais de 40 capítulos;
3- Tem pouquíssimo diálogo;
4- Foi escrito na década de 60, mas tem contexto bem atual;
5- As situações são imagináveis;
6- Dá para ler em dois dias.

Antes de terminar esse texto, eu queria deixar um agradecimento especial a uma pessoa que, de certa forma, contribuiu para que essa leitura não fosse postergada e/ou eliminada da minha lista. Que você perdoe toda essa minha impaciência e intolerância por ficção científica, toda essa minha guerra declarada por luzes, astronautas e naves espaciais. Porque eu não sei lidar comigo e tenho medo de ser igual num mundo em que todos parecem ser tão diferentes. E, assim como você, também preciso de um pouco de incentivo.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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Um pensamento em “2001: Uma Odisseia no Espaço (Clarke, Arthur C.)

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