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Nos últimos dois anos, a frase “sair do Jornalismo foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida” foi o discurso mais usado nas festinhas de família, nas mesas de bar, no trajeto do ônibus, nos convites para refeições inesperadas, enfim, nunca se ouviu tanto a minha boca dizer outra coisa que não fosse isso quando o assunto era “mas o que você anda fazendo da vida, menina?”.

Pois bem, desde que eu mergulhei no mundo da Publicidade, a minha vida tem sido realmente diferente. Bem melhor mesmo. Mas, isso não quer dizer que estou cuspindo no prato que comi. Pelo contrário, afinal, o Jornalismo foi a Graduação que escolhi e precisei passar por ela para realmente entender o que a Luciane gosta de fazer.

Entre as coisas boas que o Jornalismo deixou em mim foi a paixão por literatura e por histórias. Dizem que o jornalista é “aquele cara que gosta de escrever e falar”, mas a real é que o verdadeiro jornalista é “aquele cara que gosta de ler e ouvir”. E só o universo sabe o quanto a gente precisa consumir muitas histórias para conseguir contá-las depois. Vocês não têm ideia do quão difícil isso é.

Por isso, toda vez que leio um livro-reportagem, a minha mente logo imagina o trabalho que aquilo deve ter dado. Apurar, entrevistar, reunir as informações, escrever, pesquisar, enfim, todo o processo jornalístico que é necessário para transformar uma história em material é um ciclo que poucos guerreiros conseguem concluir.

E, no caso do escritor e jornalista italiano Curzio Malaparte, relatar o que ele presenciou na Europa naqueles anos de Segunda Guerra Mundial não deve ter sido nada fácil. Agora, imagine o trabalho que o ilustrador brasileiro Eloar Guazzelli teve para adaptar o contexto de Kaputt em quadrinhos? O poder de interpretação desses dois caras é extremamente fora do normal, fazendo com que eu sinta que a única coisa que não fiz nesse mundo foi Jornalismo.

Acho que nem preciso dizer que o livro é apaixonante. Primeiro, por causa da sensação de realidade que ele representa. Não vivi a Segunda Guerra Mundial e os livros de história contam apenas uma parte do que realmente aconteceu. Mas, saber que um cara, em nome de sua profissão, escreveu secretamente os acontecimentos desse período cruel é o que me faz ter certeza que, mesmo saindo do Jornalismo, essa profissão é gratificante.

Confesso que, em diversos momentos, tive muitas dificuldades para compreender o enredo de Kaputt. Os traços de Guazzelli são fortes e únicos, fazendo com que os detalhes passem despercebidos por muitos leitores. Não é incrível como uma simples silhueta pode ser um homem e, ao mesmo tempo, uma paisagem terrível? Precisei de um bocado de concentração para não me deixar levar pela primeira impressão. Ainda bem.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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