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Estava em meus devaneios na madruga boladona quando lembrei que a minha educação na infância teve uma característica bem única. Minha mãe nunca insistiu que eu lesse o que não queria e nunca disse que eu tinha que ficar lendo aqueles livros (mofados na biblioteca da escola) que ninguém queria ler. Talvez seja por isso que os meus gostos literários sejam tão ecléticos, indo desde os contos, romances, ficções, infantojuvenis e até biografias.

Não sei se já falei por aqui, mas um dos meus gêneros literários menos preferidos é a poesia. Lembro que, nos meus tempos de ensino fundamental e médio, odiava as aulas de Língua Portuguesa que envolviam a leitura e interpretação de poesias. Não entendia porque as palavras se quebravam numa linha, se transformavam em estrofes e eram consideradas verdadeiras obras de arte.

Como sempre, os anos passam. Eu, que não comia beterraba e nem bebia chá, hoje não consigo ver esses dois alimentos fora da minha dieta. Eu, que jamais me imaginaria devorando um livro de poesias, hoje não consigo me ver longe disso. Mas, isso não quer dizer que estou na quinta obra de Carlos Drummond de Andrade e/ou Vinícius de Moraes. Isso significa que mudar a minha percepção literária com o tempo foi uma linda forma de amadurecimento.

E, se eu dissesse pra vocês quem foi o cara que me fez mudar e amadurecer essa ideia, iriam dar risada. Charles Bukowski. Sim, o meu autor preferido – o que faz toda a situação se tornar uma coisa meio fanática, mas garanto pra vocês que não é. Existe uma magia por trás das palavras e poucos escritores sabem utilizá-las de forma harmoniosa. Poematizar não é uma atividade simples. É preciso sangue, sentimento e olhar apurado.

O Amor É Um Cão Dos Diabos é uma obra de dar inveja. Faz qualquer um querer tê-la escrito ou qualquer uma  querer ter sido alguma das mulheres citadas. Faz a Monalisa sentir inveja de não ser citada e até faz o Ernest Hemingway ser um escritor menos chato do que parece. Faz a literatura erótica ser ainda mais interessante e também faz com que todas as minhas cartinhas de amor parecessem tão banais.

Linguagem crua e direta, regada a uma boa dose de humor ácido e um senso de realidade acima do normal. É isso o que você encontra no mundo marginal e alcóolico de Bukowski, aprendendo que “até no lixo nasce flor” e que as palavras são capazes de transformar as pessoas. Experiência própria.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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