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“Nada é interessante se você não estiver interessado.”

Quero começar esse texto avisando que preciso falar sobre duas coisas: sobre o Kevin e também sobre a importância de julgar um livro pela capa. Sim, é isso mesmo o que você leu. Mais importante do que uma boa sinopse, um livro tem que ter uma capa boa, daquelas pra deixar a gente intrigado e apaixonado ao mesmo tempo, sabe? Ou, se for o meu caso, deixar a curiosidade falar mais alto.

Faz um bom tempo que a capa de Precisamos Falar Sobre O Kevin, da americana Lionel Shriver tem chamado a minha atenção. Isso sem falar no nome da obra… WTF is Kevin? Aliás, esse deveria ser um dos critérios de todo leitor: se perguntar porque o autor teria escolhido esse nome para a sua obra. Apesar de não ter encontrado respostas, a sensação que tive quando vi esse livro foi exatamente a mesma de quando a minha mãe me chama pra conversar. Ou seja, é importante o que ela tinha para falar.

“Ironia significa ter e ao mesmo tempo não ter.”

Bom, o primeiro ponto que eu queria ressaltar na obra é a linguagem em primeira pessoa. Toda vez que me deparo com um livro assim, sinto como se o autor estivesse conversando diretamente comigo, sabe? Em Precisamos Falar Sobre O Kevin, Shriver utiliza-se da narrativa epistolar, que se assemelha com o diálogo entre pessoas por carta. Em poucas palavras, é como se cada capítulo fosse um envelope endereçado especialmente pra você.

O segundo ponto que eu faço questão de comentar é sobre a necessidade de um leitor em se identificar com uma história. Sim, eu sei que existem “n” tipos de leitores, e que alguns se identificam mais com romances, ficções científicas ou terror. Mas, sabe aquela história em que você pensa “caramba, como eu queria ter escrito isso”? Mais do que isso, você pensa “eu leio essa história e sinto como se ela fosse minha”?

“[…] Não se ganha nada reclamando de coisas como o clima ou o deslocamento das placas tectônicas. Aliás, não se ganha nada seja qual for a situação, o que não impede a maioria de nós de reclamar.”

Precisamos Falar Sobre O Kevin é um livro que me fez refletir bastante. Em diversos momentos, me imaginei no lugar da personagem principal, Eva, uma mãe e esposa preocupada com o seu futuro profissional e pessoal que se vê desamparada no momento em que é obrigada a aprender a lidar e criar um filho que nunca desejou ter. Para algumas mulheres (e homens também), isso pode parecer algo ofensivo. Mas, até quando nós seremos obrigadas a constituir uma família? Existem medos e escolhas que são indiscutíveis.

Acabei de completar 24 anos de idade no mês passado. A ideia de ter um filho sempre me tirou o sono desde que eu descobri que não sei lidar com crianças. A maioria das pessoas que ouvem diz que isso acontece até virarmos mãe. E como a gente lida com isso, então? Como em quase todas as coisas na vida, passamos a nos aproximar de pessoas com a mesma ideia. E também passamos a observar mais as pessoas que pensam o contrário de nós.

“Pelo que vejo, o mundo está dividido entre os que veem e o que são vistos, e há cada vez mais plateia e cada vez menos o que ver.”

Sendo assim, o que penso sobre Kevin e Franklin, os outros dois personagens principais? Ressaltei Eva neste texto porque me sinto como ela: uma pessoa despreparada para ser mãe, se é que existem pessoas preparadas para essa missão. Há quem diga que sim, outros negarão. Kevin é um personagem forte, que espanta por suas características únicas e diferenciadas. Franklin, no entanto, é um personagem que deixa dúvidas.

Não sou especialista para dizer o que fez com que Kevin se transformasse nesse tipo de ser ou para julgá-lo de alguma forma, bem como Franklin, mas Precisamos Falar Sobre O Kevin é, de fato, uma obra que merece atenção. Às vezes, precisamos nos desligar um pouco de bruxos, vampiros e naves espaciais e mergulharmos em realidades profundas que ninguém está imune de viver. Em resumo, Shriver criou uma das melhores ficções dos últimos tempos. Ficção que, no entanto, está mais perto do real que se possa imaginar. Só leia se tiver estômago e responda se puder: o que você faria se o seu filho se transformasse em um assassino?

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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