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“Você não pensa nela. Uma perda em que num dado momento você não suportaria pensar, e que agora se tornou algo de que você mal se lembra. É isso que acontece.”

Nas últimas semanas, a notícia de que uma mulher havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura ganhou espaço nos portais de notícia e nas redes sociais. A bielorussa Svetlana Alexievich causou muitas discussões por ser jornalista, já que os seus concorrentes eram grandes nomes da literatura moderna.

“Poucas pessoas, muito poucas, possuem um tesouro, e se você possui, precisa cuidar dele. Você não pode se permitir entrar numa cilada, e ter o tesouro levado por você.”

Eu não sei quais são os critérios que levam um autor a vencer o maior prêmio literário do mundo, mas acredito que a titulação não signifique, explicitamente, que o vencedor seja o melhor. O mundo da literatura é tão amplo e o que conhecemos é tão mínimo que chega a ser uma grande ofensa, não é mesmo?

“Você sabe, a gente sempre acha que existe essa ou aquela razão e fica tentando achar razões. E eu poderia falar muito sobre o que eu fiz de errado. Mas acho que a razão pode ser algo que não é tão fácil de desenterrar.”

Quando escolhi a canadense Alice Munro para ser a minha próxima aventura literária, eu não tinha ideia de que a experiência fosse me fazer refletir tanto. Fugitiva é uma obra densa, apenas com personagens principais femininas, divididas em contos e com uma coisa em comum: a vontade de fugir. E que atire a primeira quem nunca teve a vontade de fugir, seja da realidade, do medo, da infelicidade ou da tristeza; seja de carro, a pé, de bicicleta ou nos pensamentos.

“A vida é sempre tão ocupada. Ganhando e gastando desperdiçamos nossas capacidades. Por que nos permitimos estar sempre tão ocupados e deixamos de fazer as coisas que devíamos, ou que gostaríamos?”

Essa vontade de fugir, que nos move por caminhos diferentes, é o que faz a nossa vida ser tão única. Os oito contos de Fugitiva são histórias que se assemelham com aquelas conversas que temos no bar, na sala de aula, no horário de almoço do trabalho. Nos fazem refletir que a ideia de fugir ou simplesmente abandonar algumas coisas nos tornam mais humanos. E não há mal nenhum em deixar as coisas para trás. Faz parte e é necessário.

“Acontece só umas poucas vezes na vida – ao menos só umas poucas se você é mulher – de você ficar cara a cara consigo mesmo assim, sem estar preparada.”

Fugitiva

Fonte: Skoob

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