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“O que é a cegueira? Onde deveria haver uma parede, as mãos nada encontram. Onde não deveria haver nada, uma perna de mesa arranha sua canela. Roncos de carros nas ruas; murmúrio de folhas pelo céu; o sussurro do sangue em seus ouvidos. Na escada, na cozinha, mesmo ao lado da sua cama, vozes de adultos falam sobre desespero.”

Alguns meses atrás, eu havia comentado em um dos meus textos sobre a minha paixão por personagens principais infantis, apesar da minha impaciência por crianças. Toda vez que me deparo com uma criança nos livros, fico sempre tentando identificar que tipo de mensagem o autor quer passar. No caso de uma criança cega, acredito que a sensibilidade seja ainda mais colocada à flor da pele.

“Sabe a maior lição da história. A história é aquilo que os vitoriosos determinam. Eis a lição. Seja qual for o vencedor, ele é quem decide a história. Agimos em nosso próprio interesse. Claro que sim. Me dê o nome de uma pessoa ou de um país que não faça isso. O truque é perceber onde estão os seus interesses.”

Toda Luz Que Não Podemos Ver, do americano e vencedor do Pulitzer em 2015, Anthony Doerr, é uma obra que faz com que nós, “cegos que veem” (como dizia Saramago), tenhamos uma percepção diferente da vida. Apesar de totalmente ficcional, a história da pequena e frágil Marie-Laure impressiona por causa da riqueza de detalhes que o autor dedica para o livro.

“Quem sabia que o amor poderia matar?”

Existe uma inocência nas crianças que é fácil de identificar, mas, a sensibilidade é algo que poucas possuem. Em pleno período da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha começa a atacar a França, uma criança cega e seu pai, chaveiro-mestre no principal museu francês, precisam fugir da destruição e cumprir uma missão: proteger uma pedra preciosa que os alemães estão à procura como cães de rua famintos.

“Você nunca pode deixar de acreditar. Essa é a coisa mais importante.”

Doerr tem a inteligência (e irreverência) de mostrar os dois lados da moeda. Os alemães, com fama de destruidores, e os franceses, amedrontados e receosos com a guerra política. De cada lado, existem as lições que cada nação pode passar: nem todos os soldados que serviram a Hitler eram assassinos e nem todos os franceses eram inocentes. Cada um com sua parcela de culpa e um destino para ser cumprido, apesar do maniqueísmo explícito.

“[…] As pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?”

Apesar das mais 400 páginas, Toda Luz Que Não Podemos Ver passa longe do quesito “livro cansativo”. Os capítulos são curtos e se entrelaçam com o decorrer da leitura, fazendo com que a experiência seja bastante prazerosa (pelo menos pra mim, rs). Doerr é detalhista, não nega capricho em seus personagens e situações, sendo um exemplo vivo de que é possível fazer uma história comovente, mesmo sem final feliz e até mesmo sem satisfazer os leitores mais críticos. Além disso, ainda garante uma verdadeira aula de História (me corrijam se eu estiver errada). Ufa.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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4 pensamentos em “Toda Luz Que Não Podemos Ver (Doerr, Anthony)

  1. Esse livro é muito lindo! Adoro livros que se passam na Segunda Guerra. E esse entrou pra minha lista de favoritos da vida! É tão lindo ver através dos “olhos” de crianças como mesmo em meio a guerra eles tinhan tanto a ensinar. Simplesmente maravilhoso.

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