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Queria dividir uma história engraçada com vocês. Talvez não seja tão cômica para alguns, mas, para mim, é um fato que me faz rir bastante. Quando eu estava no Ensino Médio, as minhas aulas preferidas eram a de Língua Portuguesa e a de Inglês. O resto era exatamente uma mera obrigação e eu nunca consegui entender a minha dificuldade em entender outras disciplinas relacionadas à área de Humanas, como História, Geografia, Filosofia e afins. Por isso, só me resta dar risada quando me surpreendo ao “descobrir” que a França e Alemanha lutaram na Primeira Guerra Mundial. Sim, eu sei que é um absurdo.

“Aliás, é engraçado como o infortúnio do mundo provém tão frequentemente de homens baixos: são muito mais enérgicos, de gênio muito pior que o dos indivíduos altos. Tentei sempre evitar pretender a companhias lideradas por comandantes pequenos: em geral são uns carrascos.”

Até então, eu nunca tinha entendido o fascínio e a paixão em geral das pessoas pela disciplina. Achava que era mais uma questão de afinidade com o professor do que um interesse real pelo assunto. Eu sempre me perguntava: “mas por que raios eu tenho que saber os motivos da Segunda Guerra Mundial ou a importância da Proclamação da República”? A verdade era que eu não tinha sensibilidade para entender o quão importante é o conhecimento. Mas não aquele conhecimento supérfluo, sabe? E, sim, aquele conhecimento que a gente pode multiplicar com as outras pessoas.

Quando me sugeriram o livro Nada De Novo No Front, do alemão Erich Maria Remarque, e explicaram que era uma obra conceituada historicamente, confesso que pensei que seria mais um daqueles livros que a gente era obrigado a ler no Ensino Médio. Só que me surpreendi, e de forma muito positiva. Mais do que um relato sobre a Primeira Guerra Mundial, Nada De Novo No Front é um relato sobre a Primeira Guerra Mundial do ponto de vista de um jovem soldado alemão cheio de medos, sonhos e com uma vontade enorme de ver a paz e sobreviver.

“Apenas sabemos, por hora, que nos embrutecemos, de uma maneira estranha e dolorosa, mesmo que muitas vezes nem sequer fiquemos tristes.”

Uma das coisas que eu queria destacar é a linguagem. O que para muitos pode não ter importância, para mim tem. Até porque é ela quem define o tom e o sentimento que o leitor terá no decorrer da leitura. Neste caso, Remarque fez uma ótima escolha ao usar a primeira pessoa para contar a história do soldado Paul, recrutado para defender a Alemanha, lutar nas trincheiras e descobrir o valor da vida nos momentos de desespero e fraqueza.

Já parou para pensar que todos os soldados alemães que estavam lutando sob as ordens de Hitler também tinham sentimentos e não defendiam o movimento nazista? Nada De Novo No Front mostra exatamente esse outro lado que não vemos nos livros de História. A maioria dos que estavam lá não entendiam a necessidade de tantos fogos, bombas, tiroteios e mortes. Eles só queriam voltar pra casa e jantar ao lado de sua família. Eles só queriam dormir em um colchão macio e tomar um banho quente.

“Não combatemos, nos defendemos da destruição.”

Remarque ressalta, para quem quiser ver, os sofrimentos da Primeira Guerra Mundial aos alemães, que não foi exclusivo de outras nações. Sim, todos sofreram, todos viram o terror do sangue derramado, do fogo queimado e das bombas explodindo. Alguns sobrevivem mais do que os outros e têm mais histórias pra contar, outros deixam histórias para que os sobreviventes contam. Mas todos, de alguma forma, deixam algo para ser lembrado por nós.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “Nada de Novo no Front (Remarque, Erich Maria)

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