Home

Faz um tempão que não incluía um livro brazuca na minha lista. Acho que a minha meta em ler apenas as obras dos vencedores de Nobel e Pulitzer me fizeram esquecer que tem muita coisa boa aqui nessa terra onde nasci. Após a leitura de Cão De Cabelo, do carioca Mauro Santa Cecília, posso dizer que a literatura brasileira tem me deixado com um baita orgulho e satisfeita. Mais feliz do que muito autor gringo, vocês acreditam?

Acabei de ler Cão De Cabelo e estou num frenesi danado. Não consigo acreditar que uma daquelas olhadinhas nas máquinas de livros do metrô paulistano fosse me presentear com uma leitura tão boa. Confesso que gastei dois reais e investi no Mauro só porque tinha simpatizado com a capa e o nome da obra. De resto, não tava botando fé não. Mas hoje, posso dizer que tirei a sorte grande.

Eu não sei se tenho permissão pra fazer esse tipo de comparação, mas o Mauro me lembra o Bukowski. Linguagem escrachada, ambientes reais, situações cotidianas… Se não fossem as gírias cariocas e as referências da Cidade Maravilhosa, eu jamais afirmaria que estava lendo um livro brasileiro. Poucos autores nacionais conseguiram me agradar tanto quanto o Mauro.

O cenário se intercala entre a favela e os bairros nobres, entre os inteligentes e os menos estudados, entre o rico e o pobre, entre o honesto e mal caráter. Mais do que uma obra com nome estranho, Cão De Cabelo é um daqueles livros que te fazem entender que a vida é uma montanha-russa e nem todos saem vivos dela. Os personagens, que condizem a realidade de muitos brasileiros, possuem algumas coisas em comum: são jovens pobres e sonhadores, que não sabem como lidar com o sucesso e se perdem no meio desse processo chamado vida.

Observação: a história do personagem principal, Lelo Costa, um letrista e compositor que ganha fama após uma música romântica ficar famosa, me faz pensar se a obra é ou não autobiográfica (ou pelo menos tem traços para ser). Mauro Santa Cecília é letrista reconhecido pelo Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, tendo participação na composição da canção Amor Pra Recomeçar, do Frejat. Seria trágico se não fosse cômico.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s