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“O papel tem mais paciência do que as pessoas.”

É com essa frase d’O Diário De Anne Frank que eu começo o meu texto de hoje. Sem firulas, sem rodeios e sem historinhas pra introduzir. Porque nenhuma sensação me domina mais do que a vontade de encher o peito e sair gritando na rua: “eu finalmente terminei essa p&#@a”! Já adianto desculpas pelo palavreado, mas, mais do que uma sensação de alívio, existe uma sensação de missão cumprida com êxito, Houston.

“Aprendi uma coisa: você só conhece uma pessoa depois de uma briga. Só, então, é possível julgar o seu caráter!”

Desde que comecei a leitura desse livro, um sentimento de agonia não cabia no meu peito. Será possível mesmo que eu estava achando essa famosa obra uma chatice sem fim? Será possível mesmo que esse clássico da literatura universal me fez ter a vontade de desistir e, em alguns momentos, não sentir nada pela personagem principal? Pois é, gente. Aquela frase que diz “o que seria do azul se todos gostassem do rosa” nunca fez tanto sentido. Eu realmente achei O Diário De Anne Frank um livro fraco, com a ressalva de alguns parágrafos.

“Amor, o que é o amor? Não creio que se possa realmente por em palavras. Amor é entender alguém, se importar, compartilhar as alegrias e tristezas. Isso pode incluir o amor físico. Você compartilha alguma coisa, dá alguma coisa e recebe algo em troca, seja ou não casada, tenha ou não um filho. Perder a virtude não importa, desde que você saiba que, enquanto viver, terá ao lado alguém que a compreenda e que não precisa ser dividido com ninguém mais!”

Bom, pra quem não sabe (eu também não sabia, afinal), Anne Frank viveu os momentos de caos e medo da perseguição dos alemães pelos judeus na Holanda. Juntamente com mais quatro pessoas – e outras que foram surgindo com o tempo –, eles se esconderam dos nazistas por dois anos, até serem delatados. O local do esconderijo era o anexo do sótão do escritório de seu pai, Otto Frank. Com esse diário, ganhado em seu aniversário de 13 anos, a jovem garota se utilizou das palavras para contar o seu cotidiano, que muitas vezes soa um pouco fútil e desinteressante.

“Não acredito que a guerra seja apenas obra de políticos e capitalistas. Ah, não, o homem comum é igualmente culpado; caso contrário, os povos e as nações teriam se rebelado há muito tempo! Há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e destruído, só para começar outra vez.”

Acredito que as pessoas que deram a mesma nota que eu para o livro no Skoob (2 estrelas) também sentiram a mesma necessidade: de ver o que ninguém viu, de sentir o que só as pessoas dessa época sentiram. 70% da história fica concentrada na infância e adolescência de Anne, uma geminiana visível, que em algumas horas está de bem com a vida e, em outras, se demonstra uma pessoa frágil e ao mesmo tempo insuportável, já que concentra as suas preocupações com coisas que não esperamos de uma judia refugiada.

“Qualquer pessoa que, de propósito, cause tamanha dor a outra que diz amar é digna de desprezo, a mais baixa das criaturas.”

Talvez eu esteja sendo rígida demais por exigir que ela contasse um pouco mais do sofrimento. Aliás, estou sendo egoísta. Mas é que não consegui entender o porquê de tanto blá blá blá para um livro que conta a história de uma menina que usa um diário para contar sobre o seu período de confinamento e se perde nas turbulências sentimentais-barra-amorosas de uma adolescente. Eu já fui uma e você também já foi. Não tem porque achar isso totalmente espetacular. Disso eu já sei, aliás.

“Gente estúpida geralmente não pode suportar quando outros fazem alguma coisa melhor do que ela.”

Mesmo assim, não nego a importância do livro para o universo. O período do Holocausto foi um período sangrento e um material desse só demonstra o tamanho do sofrimento que os judeus tiveram que enfrentar. Quem sobreviveu, teve de passar o resto de sua vida gastando saliva para contar o que viveu e sentiu. No caso de Anne, as palavras no papel mostraram que o tempo não poderá modificar o que está registrado.

“A preguiça pode parecer convidativa, mas só o trabalho dá a verdadeira satisfação.”

Em alguns momentos, desconfiei da veracidade dos fatos. Relatos escritos em primeira e terceira pessoa, repetitivos, inconstantes e por ora contraditórios. Acredito também que muita coisa deve ter sido editado pelo próprio Otto Frank, me fazendo ter a vontade de ler os manuscritos originais. De todo modo, fico admirada com alguns pensamentos dela, uma garota de apenas 13 anos que buscou nas palavras o consolo para os seus momentos de dificuldade. Confesso que, na maioria das vezes, eu não teria as atitudes e pensamentos que ela teve, fazendo com que eu me sentisse inútil e fútil (veja as frases destacadas). Porém, ainda afirmo que o livro é um pouco fraco. Como diria a minha mãe: “tem gosto pra tudo”!

“As pessoas seriam muito mais nobres e melhores se, no fim de cada dia, pudessem rever o próprio comportamento e pesar o que fizeram de bom e de mau. Automaticamente, tentariam melhorar a cada manhã e, depois de algum tempo, com certeza realizariam muita coisa. Todo mundo pode seguir essa receita: não custa nada e é utilíssima. Os que não sabem terão de descobrir por experiência própria que ‘uma consciência tranquila dá força às pessoas’!”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “O Diário de Anne Frank (Frank, Otto H. e Pressler, Mirjam)

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