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Acho que uma das coisas que faz todo leitor sofrer é aquela famosa lista de livros. Pode ser aquela que a gente montou, que o amigo recomendou, que a internet divulgou e que, a todo custo, tentam nos fazer ler enquanto ainda há tempo. Se eu soubesse que ler o tanto que eu gostaria fosse tão difícil, confesso que teria pensado com mais carinho no que colocar na minha lista oficial. Afinal, a vida é muito curta pra ficar lendo Cinquenta Tons De Cinza (isso é uma piada, por favor).

“Em cada suspiro é como se a gente se desfizesse de um sorvo de vida.”

Eu, particularmente, sou uma eterna fã de listas. A última que vi, da Educar Para Crescer, me deixou tão animada e desanimada ao mesmo tempo que ainda não consegui digerir o fato de que a literatura é muito rica e de que vou morrer tentando ler tudo o que é considerado um clássico. Mesmo assim, a gente não desiste. Hoje, é a vez de Pedro Páramo, do mexicano Juan Rulfo; faz um tempão que nada latino entrava na minha estante e posso dizer que essa escolha foi uma tremenda sorte.

“A vida já é dura o bastante. A única coisa que faz com que a gente mova os pés é a esperança de que ao morrer nos levem de um lugar a outro; mas quando fecham para gente uma porta e a que continua aberta é só a do inferno, mais valeria não ter nascido…”

Bom, quem já leu algo da literatura latina (ou que se passa em países latino-americanos) já deve ter percebido uma coisa nas histórias: o cenário árido, parece que você consegue sentir o calor do local; os personagens violentos, onde cada gota de sangue é descrita de forma detalhista; uma mulher sofredora, que não teve nada na vida e ainda morre sem ter tido algo de importante; o sofrimento, marcado por lágrimas e suor; e, antes que eu me esqueça, um herói disfarçado, que você só descobre nas últimas páginas.

“A morte não se reparte como se fosse um bem. Ninguém anda à procura de tristezas.”

Se eu tivesse que fazer um resumão de Pedro Páramo, seria mais ou menos isso. Um livro forte e com bastantes características, com um começo triste e um final mais triste ainda. Parece até exagero da minha parte, mas essa obra me deixou um bocado reflexiva. Rulfo conta a história de Juan Preciado, que decide realizar o desejo de sua mãe falecida recentemente e vai conhecer o seu pai, personagem que leva o nome do livro. Você teria coragem de buscar o seu passado?

O que Juan não sabia é que seu pai era um homem temido, violento e mulherengo: a crueldade em forma de ser humano. Ao visitar as cidades mexicanas em busca desse nome que a mãe diz, ele descobre que Pedro Páramo é um destruidor de famílias, um homem que devastou uma aldeia deixando poucas pessoas vivas para contarem o que passou. As que sobreviveram, no entanto, têm memórias que não sabem distinguir se é ficção ou realidade. É o que dizem: o sofrimento adora companhia. E Rulfo soube mostrar isso com maestria.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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