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No ano passado, fui apresentada ao mundo da periferia de uma forma que jamais imaginava. A ideia era ir conferir um show do rapper Emicida em um Centro Educacional Unificado, também conhecido como CEU, na cidade de São Paulo. Após uma viagem de quase 30 minutos, eu e meu amigo desembarcamos em Perus, um bairro da Zona Norte. O cenário predominante é bem característico: não tem asfalto, as ruas são esburacadas e estreitas, clima tenso, casas em situação precária…

“Não é por consideração que visitamos alguém, é por querer sentir algo que valha a pena.”

Assim como os negros sofrem preconceito em locais considerados mais “luxuosos”, eu, que sou japonesa, sinto um olhar diferente nesses lugares também. O povo olha, acha estranho, mas posso garantir uma coisa pra vocês: nunca deixei de curtir o que gosto por causa disso. E sei que muitas pessoas têm preconceito com um gênero brasileiro que vem dominando as estantes: a literatura marginal, caracterizada por linguagem coloquial e com temáticas sobre os problemas sociais. Ou seja, se você ainda não se rendeu a esse gênero, vou tentar te convencer até o fim desse texto.

“Se o leão mata o animal menor, Deus tá de que lado?”

Não sei se você já teve a oportunidade de ler uma obra do velho Buk, o Charles Bukowski, mas esse é o primeiro ponto da resenha. Os problemas sociais que o Buk relatava em seus romances se assemelha bastante com a literatura marginal. Os dois mostram que, muito mais do que um problema exclusivamente brasileiro, a sociedade sofre de vários males, entre eles a precariedade em suas vidas, desde a saúde até a educação. Portanto, se você tem algum tipo de reconhecimento pelas obras do velho safado, é bem provável que curta esse gênero, pois são bem similares.

“Fazer o que não quer para ter o que os outros querem.”

Outro fator que te deixa mais próximo de uma obra desse tipo seja a próxima na sua lista é de que você (e quase todo mundo) se identifica com o assunto abordado. O trabalho que parece uma exploração, os medos da infância, o bullying, a rotina que nunca muda, o casamento que vai de mal a pior e até a alegria de amar alguém. Por mais natural que pareça, eu acho tão gostoso ler algo que está próximo da realidade do ser humano, mostrando que a imperfeição existe e que não há mal nenhum nisso.

“O ser humano se endurece com o tempo, cria uma casca, e fica mais difícil de tirar algo feliz de dentro.”

Literatura marginal é, em resumo, prosa. Não tem firula, não tem “será que ele quis dizer isso mesmo” e não tem nada excêntrico. É aquele tipo de gênero que você não vê o tempo passar, não sente o coração bater, porque não é aquele tipo de livro à la montanha-russa. Tem mais baixos do que altos, não tem final feliz e parece a história que a avó do seu namorado contaria nas festas de fim de ano. Sabe o “fulano”? É, ele mesmo. Morreu e blá-blá-blá.

Falando em blá-blá-blá, acabei nem contando pra vocês, afinal, qual é a obra que fechou o meu ano: Deus Foi Almoçar, do paulistano Férrez. Um livro bom, sem nada de excepcional, e que merece um espacinho na sua estante porque eu aposto um pé de alface que você nunca leu algo do tipo na sua vida. Bom, se você faz parte do time de quem já leu, deixe aqui nos comentário o nome do livro. Trocar figurinhas é sempre divertido.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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