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O ano acabou de começar e eu já sei que 2016 vai ser difícil. Bem difícil, principalmente no quesito “leitura”. Fui apresentada no final do ano passado à Netflix e, desde então, as minhas leituras estão sofrendo um atraso absurdo, já que não consigo conciliar os seriados/filmes com os livros e também com o trabalho, que toma uma grande parte do meu tempo. Aproveito o texto pra perguntar: como vocês fazem para dar conta de tudo?

“Porque nesse mundo tudo se encontra previamente perdoado e tudo é, portanto, cinicamente permitido.”

O meu segundo livro do ano (e do mês) foi escolhido por acaso. Já estava na lista desde o semestre passado e sabia que não iria lê-lo tão breve, mas, não sei o que aconteceu comigo e A Insustentável Leveza Do Ser, do tcheco Milan Kundera, foi o queridinho da vez por uma ignorância da minha parte: confundi o Kundera com o Mia Couto.

“Quando o coração fala, não convém que a razão levante objeções.”

Enfim, a discussão não é essa. Apenas queria dividir a minha experiência com vocês, já que esse é o intuito do blog. Demorei aproximadamente 15 dias para ler A Insustentável Leveza Do Ser, o que considero um tempo extenso para uma obra em torno de 300 páginas. Nesse tempo, fiquei doente, comecei um outro emprego e iniciei novas séries também. Então, posso dizer que a leitura de Kundera foi desatenta e cansativa.

“Se somos incapazes de amar, talvez seja por desejarmos ser amados, ou seja, por querermos alguma coisa do outro (o seu amor), em vez de chegarmos junto dele sem reinvindicações e não querermos senão a sua simples presença.”

Somente nas páginas do posfácio que consegui entender o enredo da história, que gira em torno de Tomas, um neurocirurgião divorciado que se apaixona por Tereza, uma mulher jovem, e descobre a poligamia em sua vida. Nesse período, a Rússia planeja a invasão da Tchecolosváquia e os personagens descobrem o poder do amor nos tempos de guerra e conturbação mental. Afinal, existe algo mais criminoso do que a falta de fidelidade?

Entre os destaques da obra, fica o cachorro chamado Karenine, que ganha vários capítulos e é visto como um elo que representa a dor de Tereza por causa da traição e a vergonha de Tomas pela infidelidade. O que faz sua vida ser insustentável ou leve? Kundera propõe que o leitor reflita sobre o peso que damos para os fatos, cotidianos ou não, que acontecem em nossas vidas. Vale a leitura, apesar de todas as dificuldades!

Observação: ao acompanhar blogs e Instagram’s literários, percebi que os clássicos estão sendo deixados de lado. Mais do que um entretenimento, sempre vi a literatura como algo sério, como um propósito mesmo. Quase não vejo os vencedores de Nobel, Pulitzer e outros prêmios nas listas e fico pensando: o que eu ganho fazendo parte dos que não leem o que a massa lê? Sinto falta deles na minha linha do tempo. O que vocês pensam sobre isso? Deixo a discussão em aberto. 🙂

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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14 pensamentos em “A Insustentável Leveza do Ser (Kundera, Milan)

    • Nat, obrigada pelo comentário. É um livro cansativo; gasta o cérebro de verdade. Se gostar desse tipo de leitura, siga em frente. Um beijo! 🙂

    • Bem-vinda ao meu clube, Isa! Hahaha.

      Ainda não consegui digerir o Kundera. Vou tentar alguma outra obra pra ficar com esse sentimento também.

      Um abraço! 🙂

  1. Também tenho percebido isso sobre os clássicos, boa parte que vejo sobre “reviews” de livro são o que estão “bombando” no momento hehe.. acho que não está perdendo muita coisa, por um lado está constantemente enriquecendo sua cultura pessoal com grandes clássicos!

    • Me bate um alívio saber que não sou a única que percebeu isso. Haha. Em alguns casos, sinto que saio perdendo quando não acompanho a maré, mas, ultimamente pude perceber que estou no lucro. Obrigada por trocar figurinhas comigo! 🙂

  2. Lu já tinha visto esse livro antes mas depois da sua resenha fiquei super interessada para ler! 😉 Sobre os “livros de entretenimento” acho que eles tem um papel super importante porque geralmente os leitores começam com os livros “leves” para depois começarem a se interessar pelos clássicos, pelos menos foi o que aconteceu comigo e sei tbm que aconteceu com várias pessoas. Acho que os clássicos são importantes e o problema é que a visão que é passada sobre eles justamente é porque tem uma linguagem difícil e são difíceis de ler, toda essas balelas. Mas tbm acredito que o “trauma” dos clássicos vem da própria escola nos empurrando goela a baixo os clássicos da literatura portuguesa e brasileira, com raros professores que conseguem passar de forma mais atrativa as ideias sobre esses livros. Acho que é isso, rs Bjos (Camila) P.S. Não assino Netflix porque tenho medo de me viciar e não conseguir ler mais 😉 hahaha

    • Oi Cá (posso te chamar assim? rsrs)! Espero que tenha mais sorte na leitura do Kundera que eu. 😉

      Quanto ao debate que tinha falado no texto, gostei bastante da sua justificativa. Mas acho que hoje os clássicos não são mais empurrados nas escolas como era na minha época (me formei em 2008). Meu namorado é professor em escolas públicas e vi que estão incluindo muitos livros que não são clássicos, e sim, “apenas estão na moda”. O problema é que o interesse pelos clássicos está vindo tardiamente ou, na pior das hipóteses, nem está vindo. Sinto uma falta tão grande de comentar em posts que desse tipo e não encontro, por isso a minha tristeza. Mesmo assim, obrigada por dividir comigo a sua opinião!

      Quanto à Netflix, eu também tinha esse medo. E cá estou: sofrendo! Hahaha. Um abraço! 😀

      • Oi Lu, pode me chamar assim mesmo, sem problemas, rs Também me formei em 2008 e depois fui percebendo que as escolas do Estado de São Paulo recebem um kit de livros variados para dar aos alunos, se percebe uma preocupação, mas ainda assim como vc disse não há muito interesse, já peguei livros desses doados indo para o lixo e sim livros como “Capitães de areia” do Jorge Amado, que é lamentável. Sei que com o grande aumento no número de pessoas falando na internet sobre livros (tanto blogs como o próprio Youtube) seria interessante ter mais pessoas estimulando a leitura dos clássicos. Só comecei devido ao vestibular, mas agora como estudante de Letras minhas leituras aumentam. Talvez uma das influências para essa questão é das próprias editoras e suas parcerias que buscam somente divulgar os livros que estão na “moda” e aí os clássicos vão por água à baixo e poucas pessoas acabam estimulando a leitura dos mesmos. Mas o debate é muito legal, porque tem vários fatores envolvidos e dá para discutir bastante coisa sob novas perspectivas! 🙂 Bjos (Cah)

      • Não sei dizer se é lamentável ou aceitável. De todo modo, insisto em dizer que qualquer leitura é melhor que nada. Vale tudo mesmo. 🙂

        Cah, posso aproveitar e mudar de assunto? Estou pensando em estudar Letras, consegue resumir em duas ou três linhas sobre a área atualmente (caso esteja trabalhando na área, agradeço se me contar algo sobre)?

      • Oi Lu! O mercado no ramo de Letras tem duas grandes opções entre todas: educação (ser professor de língua) ou como revisor, tradutor e editor de textos, que é o que quero seguir 😉 Atualmente faço estágio num órgão público com edição e revisão de textos. Super recomendo o curso, principalmente na USP e super te apoio. Bjos 😉

  3. Eu já li e esse foi um livro que me inspirou a ser escritor( https://atoboga.wordpress.com/) Adoro o Kundera, pena que você tenha tido uma experiência que não te permitiu dar muita atenção ao livro. Vale a pena ser lido e relido, para mim é sempre uma catarse

    • Oi Bruno! Já prometi que vou dar uma outra chance para o Kundera. Acho que o fato de não conseguir conciliar tudo acabou prejudicando ou foi a famosa sede ao pote. Se eu tivesse que escolher um escritor que me inspirou na escrita, escolheria o Charles Bukowski.

      Estou seguindo seu blog. Fiquei curiosa e prometo ler tudo aos poucos! Um abraço. 🙂

      • Estamos ótimos de inspiração, então, já que o Bukowski é outro gênio. Muito bom saber que você tem acompanhado o blog, sempre bom ter o olhar de uma pessoa de tão boa redação sobre as coisas que nós escrevemos. Abração

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