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Não sei se já contei por aqui, mas, uma das minhas redes sociais favoritas é o Skoob. Se eu pudesse ter inventado alguma coisa, eu queria ter inventado isso (e muitas outras coisas também). Só que, desde o mês passado, tenho suspeitado que uma das melhores invenções do mundo é o Livro De Marcar Livros, já que é como se eu tivesse um Skoob de papel e caneta e pudesse usá-lo a qualquer momento, sem a necessidade de ficar online.

“Ou a obediência estúpida, ou a revolta.”

Em 2014, assumi o desafio de ler apenas obras renomadas e premiadas. Por diversos motivos, acabei não conseguindo ir muito adiante nesse projeto. Quando ganhei o Livro De Marcar Livros em janeiro, senti que era hora de retomar a ideia. Pra quem não sabe, essa divertida versão do Skoob tem categorias que nos incentivam a ler o que geralmente não escolheríamos.

“Dinheiro guardado é prazer adiado.”

Cinzas Do Norte, do brasileiro Milton Hatoum, é um desses exemplos. É um desses típicos livros com título interessante, mas que dificilmente incluiria em minha lista de leitura. Um misto de preconceito com ignorância e também preguiça. Afinal, consigo contar nos dedos de uma mão só a quantidade de autores nacionais que me fizeram sentir aquela sensação inexplicável pós-leitura.

“Pensei: todo ser humano em qualquer momento de sua vida devia ter algum lugar aonde ir.”

É importante ressaltar: Cinzas Do Norte é um livro bom, sim senhor, mas tem aquelas ressalvas. O primeiro ponto que eu queria discutir aqui é sobre o cenário, neste caso a região Norte do nosso país. É a primeira vez que vejo um autor sair do eixo Sudeste-Nordeste e utilizar o Estado do Amazonas como ambiente. Traz uma cultura que você imaginava que existisse por lá, mas nunca pensou que realmente pudesse ser dessa forma.

Outra coisa bacana para comentar é sobre os personagens. Não sei como explicar, mas os personagens de Hatoum nessa história são apaixonantes, apesar da grande quantidade de nomes para decorar. Pois, além do nome, eles têm apelidos. Raimundo é Mundo, do mesmo jeito que Olavo é Lavo. Há as irmãs Alícia e Algisa, que você demora um pouquinho para saber diferenciá-las, mas que torna a leitura um tanto divertida.

Isso sem contar aquele sentimento de estar vivendo totalmente a história. Cinzas Do Norte é um livro que, mais do que tudo, é sobre ser brasileiro. É uma obra que te faz entender o valor da amizade, o poder da ambição, os dramas familiares, a importância dos sonhos e a dor da solidão e da violência. Cada página é um aprendizado, pois retrata o nascimento, a infância e a morte, sem a parte adulta mesmo, porque ser adulto na Vila da Amazônia é quase impossível.

Ainda não te convenci a ler? Aproveita e lê a sinopse:

“Cinzas do Norte, terceiro romance de Milton Hatoum, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 50 e 60, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano. No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, o jovem engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964 e dão início à vertiginosa destruição de Manaus. Nessa luta que se transforma em fuga rebelde, o rapaz amplia o universo romanesco, que alcança a Berlim e a Londres irrequietas da década de 1970, de onde manda sinais de vida para o amigo Lavo, agora advogado, mas ainda preso à cidade natal. Outros fios completam o tecido ficcional de Cinzas do Norte – uma carta que o tio Ranulfo envia a Mundo, uma outra que este deixa como legado para o amigo de infância. São versões e revelações que se cruzam ou desencontram, sem jamais chegar a esgotar o enigma de uma vida singular ou a diminuir a dor da derrota final, às mãos da doença, da solidão e da violência.”

Observação: alguns minutos após o término desse texto, descobri que Milton Hatoum é manauara. O que explica a riqueza de detalhes do local. E nota onze para a narrativa deliciosa que o autor proporciona na obra.

Cinzas Do Norte

Fonte: Skoob

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