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Quem acompanha o blog Pitacos Culturais por um bom tempo já deve ter reparado sobre as minhas reclamações de livros com pouco diálogo. Acho que isso é um explícito reflexo do quanto gosto de falar e como as pessoas falantes sofrem: sentimos falta de um bate-papo, de uma prosa gostosa, mesmo que breve. Sou daquelas pessoas que adora dar informação na rua, de erguer a mão numa palestra e de jogar conversa fora, literalmente.

Talvez seja por causa disso que eu tenha me identificado tanto com a obra Esperando Godot, do irlandês e vencedor de Nobel, Samuel Beckett. Mais do que isso, o livro é um grande tapa na minha cara, pois sempre fugi e falei mal da literatura teatral, mais reconhecida e lembrada pelo famoso William Shakespeare. Não tenho vergonha de confessar que sentia preconceito.

Agora, nem parece que sinto esse orgulho em ter completado a leitura. Bom, pra quem não sabe, Beckett é bastante reconhecido na dramaturgia. Sua principal obra, que é Esperando Godot, é altamente influente no século XX e denominada fundamental para o Teatro do Absurdo, que retrata os aspectos da vida humana.

Vida humana que, na minha opinião, fez com que Beckett me prendesse a atenção em todos os minutos. Esperando Godot é uma obra de nome autoexplicativo, ou seja, retrata a história de dois homens, moradores de rua e vagabundos, à espera de Godot, uma pessoa que nunca veio.

O dia a dia de Estragon (Gogô) e Vladimir (Didi), chega a ser cômico e trágico ao mesmo tempo. No decorrer das páginas, você se depara com os sentimentos de quem vive o abandono, mas não perde a esperança de um futuro melhor. Falando em poucas palavras, Godot, o personagem que não existe e nunca veio, seria exatamente a exemplificação do que é acreditar em algo, mesmo em condições que não favorecem, por exemplo, a alegria.

Perdidos entre as memórias de um ontem triste, Estragon e Vladimir mostram coisas boas também: um bom exemplo disso é o valor da amizade, onde você divide tudo o que tem, como comida, dores, dúvidas e medos, e o que não tem, por que não? Afinal, só quem tem um grande amigo sabe do que estou falando.

Um outro detalhe que não pode passar despercebido é que a leitura de Beckett passa rápido. Tão rápido que uns dois dias são suficientes para acompanhar os diálogos entre essa cômica dupla, com participações divertidas de mais três personagens. Tudo isso se transforma numa conversa enxuta que você nem vê a hora passar. Recomendadíssimo mesmo. E vem que vem, Shakespeare!

“Para cada um que irrompe em choro, em outra parte alguém para. Com o riso é a mesma coisa. Não falemos mal, então, dos nossos dias, não são melhores nem piores do que os que vieram antes. Não falemos bem, tampouco. Não falemos.”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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