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No início desse ano, decidi que não iria levar a literatura tão a sério. Aquela ideia de ler todos os clássicos e vencedores do Nobel ainda vai muito bem, obrigada. Mas, não dá pra seguir esse plano à risca: é cansativo e me faz ter grandes chances de querer abandonar uma leitura, algo que não fiz mais de uma vez na minha vida e pretendo não fazer de novo.

“Morrer não é desculpa para ser um verme.”

Decidi retomar a minha leitura nacional com força em 2016, por isso, o terceiro livro da lista veio com uma descarga de ansiedade muito grande. Afinal, faz um tempão que estava namorando o Barba Ensopada De Sangue, do paulistano Daniel Galera. Já falei por aqui que as capas me conquistam, mas, nesse caso, o nome foi o critério que me convenceu sem que eu titubeasse. E, pra quem não sabe, esse é o quarto livro do autor.

“A quantidade de sofrimento nem sempre decide o que é melhor ou pior. Às vezes, a coisa certa a fazer causa sofrimento. Sofrer é ruim, mas faz parte.”

Bom, se tem uma coisa boa de se ler algo nacional é conseguir se situar na narrativa. Nunca fui pra Santa Catarina, mas consigo imaginar as coisas de forma mais simples do que se fosse uma história ambientada na Austrália, por exemplo. Pode parecer uma observação desnecessária, só que pra mim isso pra mim faz uma baita diferença.

“O amor é o coração do desespero.”

Antes de começar, queria dizer Barba Ensopada De Sangue é, antes de tudo, uma obra que mexe com o psicológico. Então, é bem provável que esse texto transpareça isso também. O personagem principal, um professor de educação física cujo nome não é citado, se muda para o Garopaba após a morte do pai. Essa cidade é a mesma em que seu avô, Gaudério, teria sido assassinado na década de 70, quando era apenas uma vila de pescadores.

“Ninguém pode me tirar o mal que eu fiz pros outros. A gente precisa disso pra ser uma pessoa melhor. Perdoar é como fingir que não existe. Mas a vida é resultado do que a gente fez. Não faz sentido agir como se algo não tivesse acontecido.”

Cercado de mistério do início ao fim (ou quase), Galera consegue fazer com que o leitor se sinta na pele do personagem, que está sempre acompanhado de sua cadela Beta (ou melhor, a cadela do falecido pai). Ao chegar em Garopaba, percebe que a história está mal contada e decide ele mesmo descobrir as lacunas e peças que estão faltando. Muito mais do que um personagem em busca da verdade, ele (que não tem nome) é um ser diferente: sofre de uma doença neurológica que não permite que ele grave o rosto das pessoas, perdeu a namorada para o irmão, vive sozinho e tem poucos amigos.

“Perdoar é livrar as outras pessoas da culpa. E fazendo isso tu também te liberta. Não é fingir que não existiu. É uma doação, uma entrega. É uma escolha que se faz. Precisa de coragem, mas vale a pena.”

A riqueza de detalhes é outro fator a ser levado em consideração. Da gota de sangue escorrendo da barba até a quantidade de facadas que seu avô foi morto, Barba Ensopada De Sangue desenvolve e constrói a mente do leitor, mostrando que a obstinação é uma característica que divide a sociedade, que ainda não teve tempo de assimilar a importância do corpo e da alma em tudo o que fazemos.

Problemas? Sim, todo mundo tem. Por isso, Galera reforça a dificuldade que enfrentamos para lidar com as perdas e as perguntas que a vida não responde. Sempre gostei de histórias que aprofundam o passado e mostram que errar é humano de verdade! Quantas vezes você pensou que a sua vida podia ser bem pior que a de muitas outras pessoas? Vem que o Barba Ensopada De Sangue te explica.

Barba Ensopada De Sangue

Fonte: Skoob

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