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Até que enfim! Nenhuma outra frase definiria melhor o início dessa resenha, por isso, deixem-me explicar o porquê. Eu sempre fui daqueles tipos de leitora que dificilmente abandona um livro, mas, todo mundo tem uma primeira vez. No meu caso, já tive leituras tão insuportáveis ao ponto de não passarem da primeira página. Seria trágico se não fosse cômico.

Pois bem. Dois anos depois, decidi retomar a leitura de Laranja Mecânica, do britânico Anthony Burgess – talvez você a conheça por causa do filme, que teve direção do cineasta Stanley Kubrick e ganhou muita notoriedade na década de 70. Conhecido como A Clockwork Orange, o livro foi publicado em 62 e até hoje tem espaço na literatura, sendo considerado um dos grandes clássicos.

“Bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.”

Primeiramente, é importante deixar bem claro que Laranja Mecânica é um livro pesado e com um leve nível de tortura ao leitor. Acima de tudo, não é um livro que eu recomendaria para adolescentes e acredito que escolhi o melhor momento da minha vida para lê-lo. Sim, é preciso um bocado de maturidade e paciência para encará-lo até o fim.

Assim como a maioria dos outros clássicos da ficção já escritos, como 1984, Admirável Mundo Novo e até Fahrenheit 451, essa obra também consegue vislumbrar por sua ideologia. Antes de mais nada, queria ressaltar a originalidade de Burgess em criar um idioma, o nadsat, que nada mais é que um dicionário de gírias utilizado pelos personagens do livro durante toda a narrativa.

“Alguns de nós têm de ligar. Existem grandes tradições de liberdade a defender. Não sou homem de partidos políticos. Onde vejo a infâmia, busco erradicá-la. Nomes de partidos nada significa. A tradução da liberdade significa tudo. As pessoas comuns deixarão isso passar, ah, sim. Elas venderão a liberdade por uma vida mais tranquila. É por isso que elas devem ser espicaçadas.”

Isso só comprova que a mente humana não tem limites na hora de traduzir as palavras tentando entender o contexto. Diversas vezes me deparei transformando e dando novos significados para as palavras, sem me dar conta de que o meu cérebro estava criando as próprias situações. Ou seja, a mesma coisa que me fez desistir de Laranja Mecânica há dois anos era o que estava me motivando agora.

Por que ler? É difícil responder a essa pergunta. Burgess criou um personagem único, marcado por suas atitudes violentas e medrosas ao mesmo tempo, fazendo com que você se contraia de ódio e pena pela mesma pessoa. Além disso, Laranja Mecânica é uma obra atemporal, ou seja, os anos podem passar e ela sempre será um retrato da atualidade que pouco vejo, mas sei que existe.

Entretanto, faltou. E como faltou! Laranja Mecânica é uma história cansativa e repetitiva, cercada de egocentrismo e violência, com um final inesperado e um tanto quanto triste. Sim, eu esperava mais do autor. Burgess finaliza sua magnum opus com um debate que me faz querer colocar muita lenha na fogueira: o que justifica a violência? Aliás, será que é algo possível de justificar? No meu ponto de vista, o autor errou na sua resposta pelo simples fato de generalizar aquilo que não devemos jamais aceitar: uma sociedade a mercê daqueles que gostam do poder.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “Laranja Mecânica (Burgess, Anthony)

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