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Quando eu era adolescente, a única coisa do mundo que eu queria era sair de casa. Desde que nasci, moro em uma cidade do interior, com poucas atividades de lazer e, até o ano passado, nem tinha internet em casa. Por esse e todos os outros motivos que me dificultavam em ser uma pessoa “normal”, comecei a odiar minha moradia. Só depois de muito tempo fui perceber que aqui é o melhor lugar do mundo.

Às vezes, o mundo deixa cicatrizes em nós. Não aqueles machucados de joelho ralado, sabe? Mas aqueles que estão por dentro, que nos machucam diariamente. Afinal, que sociedade é essa em que estamos vivendo? Machismo, violência… Está tudo tão difícil que até perdemos a esperança e a coragem de termos um mundo melhor.

Comecei a leitura de Voltar Para Casa em um período conturbado em minha vida. Tinha acabado de sofrer uma grande perda e não entendi muito bem o contexto inicial. A primeira coisa que eu gostaria de destacar é a narrativa de Morrison, que é bastante prazerosa e detalhista. São poucos personagens, mas são pessoas únicas e que dão todo o brilho à história recheada de situações pungentes.

Frank Money, ao contrário do que o nome parece prescrever, é um homem pobre, que foi defender a América numa guerra coreana na década de 50. Quando volta para casa, descobre que sua família não é mais a mesma e que sua irmã Ycidra, mais conhecida como Ci, se envolve numa enrascada e precisa ter coragem para enfrentar as dores de ser uma mulher na metade do século XX.

Coisas pequenas, que hoje não damos a menor importância, se fazem completamente vistas em Voltar Para Casa. Desde o amor fraternal, paternal e até o amor próprio. Todas essas coisas, que muitas vezes parecem banais, são justamente aquilo que nos fazem perder o sentido da vida, nos fazem viver experiências desagradáveis. Por isso, mesmo sendo uma narrativa dos anos 50, a autora Morrison explicita que a falta de sentimentos bons modifica a nossa capacidade de viver em harmonia.

A violência está aí, diariamente em nossas vidas, e hoje faço das palavras de Rubem Alves como minhas:

“Não, não é verdade que o sofrimento torna melhores as pessoas. O sofrimento frequentemente embrutece, tira a sensibilidade, tira a esperança, torna cruéis as pessoas. Um Deus – ou força cósmica – que usasse o sofrimento para evolução seria muito curto de inteligência – não saberia aquilo que os homens aprenderam: que a única força capaz de fazer as pessoas ficarem melhores é o amor.”

Fonte: Companhia das Letras

Fonte: Companhia das Letras

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