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Perder é um verbo que machuca só de ouvir, ler e escrever. Não sei se vocês já passaram por isso, mas, esse mês, tive a sorte de quase perder um livro; afirmo isso porque soube que o esquecera numa clínica oftalmológica, mas, só de pensar na possibilidade de que ainda existem pessoas honestas nesse mundo, o sentimento do “quase” é uma alegria pra mim.

Sendo assim, acabei postergando a leitura de Criança 44, do britânico Tom Rob Smith. Uma leitura que começou ansiosa e muito animada, primeiramente por ser um presente de uma pessoa muito especial e também porque a obra aborda o meu gênero preferido: romance policial. Sem contar que o livro tem a nota 4,5 no Skoob, o que fez com que a curiosidade fosse ainda maior.

Apesar do cenário ser totalmente político, a história prende a atenção do início ao fim. Temos aqui um personagem principal, que atende por dois nomes (o que era muito comum no regime soviético) e tem um passado cercado de mistérios. O atrito da história começa com o sumiço de Pável, um garoto inteligente, deixando sua família e seu adorado irmão abandonados.

Até aí tudo bem. Depois, conhecemos a URSS da década de 30, comandada por Stalin. Um governo cruel com sua população, principalmente àquela que não defendia a nação com unhas e dentes. Liev, um notável e temido agente da MGB (Ministério de Segurança do Estado), tem uma carreira brilhante e respeitada até o momento em que se vê obrigado a denunciar sua esposa, Raissa, como espiã.

“Kuzmin lembrou a Liev que o sentimentalismo pode impedir de enxergar a verdade. Aqueles que parecem mais confiáveis são os que merecem mais desconfiança.”

Mesmo desconfiando que ela o traía, seguiu seu coração e defendeu-a no dia do julgamento. Enquanto isso, uma série de assassinatos próximos às estações de trem russas estava causando medo na sociedade. Para os russos, a caçada seria iminente até que fosse encontrado o responsável, porém, muitas vezes a polícia prendia apenas para dizer que conseguia “conter a desordem”. Só que Liev estava desconfiado que o homem destinado a pagar por esses crimes não era o autor.

Junto com sua esposa, saiu em busca do verdadeiro assassino. Um assassino que, diga-se de passagem, é muito cruel, pois trata suas vítimas com educação e cordialidade, mas as leva para os trilhos do trem e faz coisas horríveis: estupra, arranca seus estômagos, cala suas bocas com cascas de árvores. A cada página, consegui sentir o horror de ver as crianças e adolescentes sendo levadas para a morte.

Até Liev perceber que havia alguma coisa de errado nessa série de assassinatos, o crime já estava chegando na criança de número 44, fazendo uma bela alusão o título. A partir daqui, recomendo que os leitores busquem o livro e descubram o que acontecerá. O que posso garantir é que o final é surpreendente e se enlaça com o que foi relatado desde a primeira página. Um pouquinho de atenção e tudo começa a fazer mais sentido.

Faz um bom tempo que sentia falta de ler algo no gênero. Portanto, se você não tem estômago forte, sugiro que pense bem antes de investir seu tempo em Criança 44. A história, que se passa num cenário totalmente imaginável, também tem seus detalhes facilmente elaborados em nossa mente. Cada palavra consegue ser fotografada, fazendo com que o peso seja ainda maior. Merece, sem dúvidas nenhuma, as 5 estrelas! E aí, tem coragem?

“Não é assim que começa? Você acredita numa causa, acha que vale a pena morrer por ela. Dali a pouco, vale a pena matar por ela. Depois, vale a pena matar inocentes por ela.”

Fonte:  Skoob

Fonte: Skoob

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