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Antes tarde do que nunca. Já ouviu falar nesse ditado popular? Começo a resenha de hoje com um dos maiores clichês do mundo, justamente para explicar (de um modo diferente) o que achei de Garota Exemplar, da americana Gillian Flynn. Primeiramente, preciso destacar a unanimidade da opinião pública (dos meus amigos e conhecidos): todas, eu disse T-O-D-A-S as pessoas que comentaram comigo dessa obra só conseguiram me deixar ainda mais curiosa, afinal, dez em cada 11 pessoas alegaram que essa seria uma história que iria me surpreender. Portanto, cá estou.

“É uma época muito difícil para ser uma pessoa, apenas uma pessoa real, de verdade, em vez de uma coleção de traços de personalidade escolhidos de uma interminável máquina automática de personagens. E, se todos nós estamos atuando, não pode existir algo como uma alma gêmea, porque não temos almas genuínas.”

Bom, se você é como eu e estava em outro mundo quando todo mundo resolveu falar de Garota Exemplar e ainda se sentiu fora do papo, preciso te dizer: I know that feel, bro! Além de ser uma história com muitas reviravoltas, existe uma mágica por trás de Flynn que te faz defender um personagem diferente a cada capítulo. Ah, se vocês soubessem o tanto de pessoas que o meu tribunal de causas literárias chegou a acusar…

“Minha mãe sempre dissera aos filhos: se você está prestes a fazer algo, e se quer saber se é má ideia, imagine impresso no jornal para o mundo todo ver.”

Começamos por onde? Ah, sim. Dois personagens principais: Amy, uma psicóloga, que é filha de pais psicólogos e personagem de uma série de livros inspirados nela e escritos pelos próprios pais (Amy Exemplar); e Nick, um jornalista especializado em revistas e professor de uma universidade numa cidade pequena. O que ambos tem em comum, além de um casamento frustrado? O direito de errarem num relacionamento e mostrarem ao público (nesse caso, nós, leitores) que o amor tem um jeito estranho de ser. E a gente nunca vai saber se estamos amando certo ou errado.

“O amor faz você querer ser um homem melhor. Mas talvez amor, amor de verdade, também lhe dê permissão para ser apenas o homem que é.”

À primeira vista, eles parecem um casal normal. Desses que a gente vê por aí, nas esquinas e também do lado de casa. Desses que a gente acha que conhece, mas não sabe nem metade das coisas. Quando Amy desaparece no dia do quinto aniversário de casamento, dando a entender que as coisas aconteceram da forma mais violenta que podemos imaginar, descobrimos uma personagem diferente. Nos surpreendemos a cada página, tentando descobrir com Nick, Go (irmã de Nick), Rand e Marybeth (pais de Amy), os Estados Unidos inteiro e até a polícia quem foi o responsável por seu desaparecimento.

“O pior sentimento: quando você tem simplesmente que esperar e se preparar para a mentira.”

A cada página, Flynn nos faz indagar a veracidade de cada personagem. Afinal, se ainda não foi possível encontrar o corpo, era necessário descobrir a verdade. Amy ainda estaria viva? Nick era realmente culpado? Confesso que em cada capítulo dei meu julgamento. Defendi e julguei cada personagem, me baseando em relatos alternados que ora se desenrolavam e ora me confundiam. Me sentia assistindo a um episódio de CSI, onde queria incriminar alguém e  a todo custo. Foi só então, quando cheguei na metade do livro, que fui criando minha opinião, carregando-a comigo até o último capítulo.

“Pessoas irônicas sempre desmancham quando confrontadas com a sinceridade, é a sua criptonita.”

Pois bem, minha opinião não foi alterada. Nessa batalha de team Nick versus team Amy, o vencedor foi Nick, mesmo que em muitos momentos eu achasse que ele mereceu ter padecido no inferno. Mas, agora que cheguei na última página, fico com a impressão de que cada vez mais temos/vemos relacionamentos doentios. Estou tentando ao máximo não dar nenhum spoiler aqui, só que é difícil não dizer isso: Amy e Nick são um câncer, o tipo de mal que tem de ser cortado pela raiz.

“Nunca volte para um homem com hematomas recentes. Não dê a ele essa satisfação.”

Agora vem o desabafo: tive recentemente um relacionamento sério. Nunca fui parâmetro para essa coisa chamada amor e o pouco que aprendi foi com os tombos que a vida me fez cair. Sempre fui plateia de muitos relacionamentos e também sei que isso me ajudou a ter ideia do que eu queria e do que não queria, afinal, como diria Marcelo D2: “de que lado você samba, você samba de que lado?”.

Esse livro me fez ter uma visão panorâmica do que eu nunca quis enxergar: carrego em mim um pouco desse câncer que é não saber me relacionar e levar isso adiante. Quando cheguei na última página, a única pergunta que fiz para mim foi: “eu quero continuar acordando todos os dias e ser essa pessoa?”. A resposta é não. Eu não quero e acho que tenho muito a aprender, assim como Amy e Nick. A pior coisa do mundo é você ter pena de alguém e pior ainda quando se tem de si mesmo.

Gosto muito de livros, mas busco na música as coisas que meu coração cala. Eu realmente desejo que todos tenham a quem amar e, quando estiverem bem cansados, tenham amor pra recomeçar. Grande Frejat.

“O amor deveria exigir que os dois parceiros dessem o melhor de si o tempo todo. Amor incondicional é um amor indisciplinado e, como todos vimos, amor indisciplinado é desastroso.”

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “Garota Exemplar (Flynn, Gillian)

  1. Nossa! Adorei seu jeito de escrever! É bom quando uma leitura nos faz refletir sobre a nossa vida! Vi o filme “Garota Exemplar” no cinema e foi um dos melhores da minha vida. Tem quase um ano que comprei o livro para ler e acabo passando outros na frente por já ter noção da história! Mas ele continua aqui e espero lê-lo logo! Beijos!

    • Olá! Obrigada pelo elogio. 🙂

      Ainda não vi o filme e, até onde sei, são bem parecidos. Espero que o coloque na sua lista em breve. Tenho certeza que vai adorar!

      Beijos

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