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Olha só quem resolveu dar as caras por aqui de novo… Sim, eu sei que estou devendo muitas explicações para vocês, mas o que eu queria que soubessem é que minha última leitura foi pesada, tanto em quantidade de páginas – mais de 600 -, quanto em contexto. E, mesmo com todas as dificuldades me cercando, não desisti da aventura com Pureza, do americano Jonathan Franzen. Portanto, cá estou para contar sobre esse lançamento da Companhia das Letras, que tem tudo para ser um dos livros que você vai querer na sua estante.

“O burro erra em pensar que é inteligente, ao passo que o inteligente tem consciência da sua própria burrice. Um paradoxo interessante.”

A minha primeira surpresa (e ela só apareceu quando estava na metade do livro) foi descobrir que Jonathan Franzen é um escritor renomado, sendo considerado um dos maiores romancistas e novelistas dos tempos atuais. Quem vê Pureza na estante das livrarias, se assusta com sua quantidade de páginas, afinal, o que essa obra tem de tão bom para compensar cada uma das páginas? Bom, ao terminar esse livro de Franzen, tive o mesmo pensamento quando li Dostoiévski (me perdoem a comparação, caso isso tenha lhe ofendido): “eu sabia que tinha algo aqui”. E, como vocês já devem ter percebido, me surpreendi muito.

“Às vezes, quando a gente está envolvido em escrever uma história, esquece que alguém vai ler essa história.”

A capa, como sempre, me enganou. Toda aquela sensação de tranquilidade foi embora nas primeiras páginas, ao conhecer Purity Tyler ou, para os mais conhecidos, Pip. Gente como a gente, Pip é uma jovem americana com a vida decadente: não conhece o pai, tem um emprego ruim, está atolada em dívidas e ainda tem uma relação péssima com sua mãe, que sempre escondeu seu nome verdadeiro e a origem da filha. São problemas mais comuns do que você imagina, exceto pelo fato de Pip ter a oportunidade de descobrir sobre sua história, caso aceite estagiar em uma organização que faz contrabando de informações sigilosas. Você teria coragem?

“O amor persiste, e junto com ele o ódio.”

Poucos capítulos dividem Pureza, mas as pequenas pausas que encontramos na obra de Franzen são perfeitas para entendermos a capacidade do ser humano e qual seu limite. Muito distante do seu nome, o livro de Franzen entrelaça a vida de diversos personagens que não têm nada de “puros”: são pessoas que escondem as coisas, mesmo que estejamos vivendo em tempos onde a informação é transmitida com muita rapidez. Com o passar da leitura, o leitor chega a imaginar que está envolvido na história de vários personagens quando, na verdade, está entretido em uma rede de mentiras. No fim, nem dá para acreditar no desfecho, que não é tão surpreendente, mas que merece um reconhecimento.

Diferentemente da única resenha encontrada no Skoob (muito bem escrita por sinal), não tenho repertório para convencer os leitores se vale a pena embarcar em Pureza. Gostei muito da forma que Franzen transita entre a infância e o futuro dos personagens, sem ter medo de mostrar a força dos diálogos e o poder das palavras. Além disso, eu adoro quando vejo uma obra ser tão atual quanto ao seu contexto, fazendo com que não nos preocupemos em imaginar uma época que não vivemos. Deixo registrado aqui a minha completa satisfação em ter escolhido esse livro do catálogo e ainda ter sido uma das poucas pessoas a resenhá-la. Parabéns à Companhia das Letras pela escolha (sem puxa-saquismo, eu juro).

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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