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Nenhum homem é feliz até morrer.”

Os últimos dias de leitura têm sido bem difíceis. Juntei o estresse do trabalho com os estudos para o concurso público e o resultado foi esse: livros atrasados, seriados pausados e filmes que nunca saem da lista. Sem contar a vida social, que cada vez mais anda devagar. Tudo isso por causa da falta de tempo, dessas horas a mais que fazem uma falta danada no nosso dia a dia, nos passando aquela sensação cotidiana de que sempre estamos perdendo alguma coisa.

“Aquele que vai ensinar acaba aprendendo a melhor lição, enquanto os que vão aprender não aprendem nada.”

Quem acompanha o Pitacos Culturais já conhece a minha saga literária em ler as obras que ganharam prêmios importantes da literatura. A lista de Nobel, que tinha tudo para dar as caras por aqui frequentemente, parecia que estava ficando para trás. Antes, os livros curtos ganhavam espaço na minha estante e agora são as obras extensas, geralmente com mais de 500 páginas, que andam tomando o pouco do tempo que ainda me resta.

“Um risco possuir coisas: um carro, um par de sapatos, um maço de cigarros. Coisas insuficientes em circulação, carros, sapatos, cigarros insuficientes. Gente demais, coisas de menos. O que existe tem de estar em circulação, de forma que as pessoas possam ter a chances de ser felizes por um dia. Essa é a teoria; apegar-se à teoria e ao conforto da teoria. Não a maldade humana, apenas um vasto sistema circulatório, para cujo funcionamento piedade e terror são irrelevantes.”

Aproveitando que sou parceira da Companhia das Letras em 2016, a escolha foi feita a dedo e com muito carinho. Faz um bom tempo que o sul-africano J. M. Coetzee estava na minha lista infinita e depois de tanto postergar, consegui finalmente tirar Desonra do papel. Pra quem não sabe, recebeu o Nobel de Literatura em 2003, sendo o segundo escritor do seu país a receber o prêmio mais importante da literatura.

“Em inglês moderno, friend, amigo, do inglês antigo, freond, do verbo freon, amar.”

A história se passa no continente africano, na Cidade do Cabo, a capital da África do Sul. David Lurie, o personagem principal, é um professor que tem sua vida acabada após se envolver com uma de suas alunas. Mesmo com a reciprocidade de Melanie, ele é acusado de abuso, sendo obrigado a sair da universidade em que dá aula. A única coisa que restou foi viver com sua filha Lucy em uma fazenda, bem distante da cidade em que vive.

“A vingança é como um fogo. Quanto mais devora, mais quer devorar.”

Diversos temas são ressaltados em Desonra. Não se deixe enganar pela sinopse, que não atrai muita atenção. A sexualidade, por exemplo, aparece bastante nas páginas e mostra como um personagem se comporta em situações que seu desejo, seja ele uma vontade reprimida na infância ou adolescência, é difícil de controlar. Será que por causa da sua situação social e do seu status de professor, Lurie pensava que podia usar isso a seu favor. A resposta é sim.

“Mas tenho para mim que todo mundo se arrepende quando é descoberto. É aí que a gente se arrepende. Mas a questão não é se arrepender. A questão é: a lição se aprende? A questão é: o que se pode fazer agora que nos arrependemos?”

Ao viajar para o interior e morar por alguns dias com sua filha, o personagem se depara com outras questões: a diferença entre as classes sociais. A simplicidade do homem do campo surpreende Lurie, já que, após uma invasão a casa de Lucy e a ocorrência do estupro, as atitudes escolhidas são totalmente contrárias às quais ele acredita. Deveriam mesmo ter denunciado esses homens? Sua filha supostamente lésbica deveria aceitar o estupro de um homem?

São tantas feridas para nós cutucarmos que fica até difícil explicar como um autor consegue fazer isso em cerca de 200 páginas. De todos os ensinamentos que pude absorver, acho que o principal é a importância do passado para o nosso futuro. Os erros que provocamos diariamente servem para que cada momento da vida seja vivido com mais leveza e responsabilidade. Afinal, nada melhor do que encostar a cabeça no travesseiro e ter a consciência tranquila e o famoso sono dos justos.

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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