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Não sei se vocês concordam com a minha afirmação, mas acho que um dos maiores prazeres de um leitor é explicar o livro que está lendo. Acho que toda vez que alguém pergunta sobre o que está lendo, uma porta se abre e a satisfação em dividir com alguma pessoa aquela experiência, mesmo que por alguns minutos, é tão única que não dá para explicar. E esse livro que acabo de ler tem batido todos os recordes de questionamentos.

Por isso, quando eu digo que um livro deve ser julgado pela capa, sim senhor, estou querendo reafirmar o poder de uma boa capa. No caso de Uma Temporada No Escuro, não foi só a imagem em preto e branco de um corpo seminu que chamou a atenção. O nome do autor, que por acaso é de difícil pronúncia, também rendeu algumas discussões. Ah, se o Karl Ove Knausgård soubesse disso…

Bom, mas vamos lá. Primeiramente, queria comentar sobre a minha loucura de escolher esse livro como parceira da Companhia das Letras. Pra quem não sabe, Knausgård lançou sua autobiografia, que consiste em seis livros no total, dos quais outros três, além desse, já foram lançados (A Morte Do Pai, Um Outro Amor e A Ilha Da Infância). Uma Temporada No Escuro é o quarto da série e conta sobre a adolescência de Knausgård no norte da Noruega, quando se muda e assume a profissão de professor.

Como não li os outros livros da série, achei um pouco confuso a minha imersão nessa leitura. Por mais que a editora confirmasse que não havia necessidade de ler os outros, porque cada livro consegue se desenvolver sozinho, devo confessar que rolou uma dificuldade. Portanto, as impressões que ficaram em mim é de que Knausgård parece um Bukowski europeu, onde relata suas aventuras como professor, desde os amores que conhece aos relacionamentos que terminam sem nem mesmo começar. Sutilmente, o sexo aparece nas páginas e é também como fecha o livro.

Por diversas vezes, acabei me esquecendo que Uma Temporada No Escuro é um relato autobiográfico. Nem dá pra levar muito a sério quando você não sabe o peso das palavras da pessoa e, honestamente, só conseguia imaginar que tudo o que li era um gostoso romance ficcional, onde é difícil colocar um limite do que é verdade e do que não é. Em alguns momentos, Knausgård me deixou exausta: sua história é um círculo que não te leva a lugar nenhum. E, mesmo sendo escrito na fase adulta, a linguagem usada parece exatamente ao do narrador: um adolescente. Sabe como é papo de adolescente, né? Um porre, às vezes.

De todo modo, me comprometo aqui a ler um outro livro da série. Dei nota 3 para Uma Temporada No Escuro, mas, no fundo do meu coração, queria ter dado nota 4. O jeito da escrita de Knausgård é muito fluido e, apesar de demorar exatamente 17 dias para ler a obra inteira, preciso dizer que a sua escrita é bonita demais e é tão gosto a gente se reconhecer nas palavras de alguém. Afinal, todo mundo teve uma adolescência conturbada, com problemas que ninguém conta, não é mesmo?

“Podemos falar sobre o tempo. Mas o que vamos dizer? O tempo está como sempre esteve. É através do tempo que a existência se revela para nós. Da mesma forma, nos revelamos através do nosso estado de espírito, através daquilo que sentimos a cada momento. Não é possível conceber um mundo sem tempo, nem uma identidade sem sentimentos.”

UMA_TEMPORADA_NO_ESCURO

Fonte: Skoob

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