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“A paz, ainda que amada por Nosso Senhor, só é uma virtude cardeal se o próximo tem a mesma consciência que nós.”

Dizem que agosto é o mês do desgosto, mas, pra mim, foi o mês que mais conseguiu me render coisas boas em 2016. Primeiramente, porque consegui o feitio de comprar quase 20 livros e ainda consegui dar conta das leituras, bem como assistir seriados e filmes que há muito tempo postergava. Pois bem, dou aqui as minhas boas-vindas para setembro.

“Um livro lido pela metade é como um caso de amor não consumado.”

Estava muito ansiosa pela leitura de Atlas De Nuvens, do britânico David Mitchell. Só de olhar a sinopse, fiquei extasiada com o que vinha por aí. Até ontem, todos os 15 votos que a obra tinha no Skoob eram notas máximas. Porém, tive que quebrar e esse post é justamente para explicar o que entendi e porque Mitchell levou apenas quatro das cinco estrelas.

“Quem disse que ‘dinheiro não compra felicidade’ certamente tinha dinheiro até não poder mais.”

O primeiro ponto que quero ressaltar é que Atlas De Nuvens não é uma leitura fácil e prazerosa em determinados momentos. Tudo isso porque Mitchell conta seis histórias de seis formas diferentes, o que faz com que o leitor (pelo menos no meu caso) precise de muita atenção para não perder cada detalhe e ainda conseguir ligar cada romance no outro. Parece confuso, mas não é tanto assim.

“Ora, mas, afinal, o que é um resenhista?, intervim. Um sujeito que lê com pressa, arrogância, mas nunca com inteligência…”

Quando me referi às formas diferentes, quis dizer que Mitchell utiliza linguagens diferentes para cada “capítulo”, desde narrativas em forma de diário, epistolar (por meio de cartas), entrevista e até com um vocabulário interiorano. Cada romance é uma aventura diferente e, apesar de sentir cansaço e dificuldade para digerir algumas partes, Atlas De Nuvens é uma obra que surpreende em si. Afinal, não deve ser nada fácil escrever seis histórias diferentes e ainda conseguir interligá-las.

“A ascensão cria uma fome tão forte que termina por consumir a mente.”

Quem quiser conferir um pouquinho de cada capítulo, sugiro que leiam a belíssima resenha do Kovacs no Skoob (só avisando que tem um pouquinho de spoiler). Agora, se você quiser ter uma visão mais ampla do que realmente foi Atlas De Nuvens para mim, convido-os a continuarem a leitura por aqui. Afinal, a pergunta que não quer calar é: por que Mitchell não mereceu as cinco estrelas?

“O medo endurece a cautela, mas o tédio a enfraquece.”

A resposta é simples: Atlas De Nuvens é uma montanha-russa. Sim, daquelas que demoram pra subir e, quando finalmente atingem o topo, caem com alta velocidade e muita emoção, mas depois perdem a graça. Não vou poder negar jamais que a genialidade de Mitchell faz valer as mais de 500 páginas. Os “contos” (não sei se posso chamar assim) como “Meias-Vidas: O Primeiro Romance Policial da Série Luisa Rey” e “O Pavoroso Calvário de Timothy Cavendish” rendem umas boas doses de risadas e de emoção e ainda deixam aquele gostinho de quero mais. Já os outros, parecem que ocupam um espaço e tempo desnecessários, onde eu me pergunto se não seria mais interessante ter trabalhado melhor nesses romances que tanto gostei.

“Não tem nada a ver com covardia – o suicídio exige uma coragem considerável. Os japoneses é que sabem. Não, egoísmo é exigir que outra pessoa aguente uma existência insuportável só para poupar a família, os amigos e os inimigos de um pouco de introspecção. O único egoísmo é estragar o dia de um desconhecido obrigando-o a testemunhar uma cena grotesca.”

Em poucas palavras, Atlas De Nuvens é uma mistura gostosa, apesar de tudo. É como se você desse play em uma playlist que tivesse forró e heavy metal no mesmo lugar. Porque são tantos cenários com diferentes formas de narrativas, são personagens singulares, do tipo em que cada um tem uma característica única e um montão de coisas para contar. No fim das contas, me senti aquela pessoa que já viveu uns 80 anos e tem tanta história para compartilhar.

Ah, antes que eu me vá, preciso ressaltar dois pontos: a capa, que na verdade é uma caixa e possui uma explicação bem clara de tudo o que você vai encontrar nessa obra e a tradução de Paulo Henriques Britto está exemplar e fico imaginando o quão trabalhoso deve ter sido em capítulos como “Uma rogativa de Sonmi~451” e “O Vau do Sloosha e o Que Deu Adespois”. Mitchell é muito bom sim, mas faltou um pouquinho só pra me convencer. Espero que vocês tenham mais sorte!

“Os fracos são a carne que os fortes comem.”

ATLAS_DE_NUVENS

Fonte: Skoob

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Um pensamento em “Atlas de Nuvens (Mitchell, David)

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