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Fui picada pelo mosquito do “ah, mas a sinopse era tão boa”, justamente quando decidi parar de julgar os livros pela capa ou pelo título. O que era pra ser uma empolgação acabou se tornando um ponto de interrogação na alma. Estaria sendo rude demais ao dizer que fiquei aliviada ao saber que esse sentimento não é só meu? Basta procurar por Simpatia Pelo Demônio, do brasileiro Bernardo Carvalho, no Skoob e tirar suas próprias conclusões. O que esperar de um livro que tem 3,4 como nota (até a data de publicação)?

“A paz é um estado temporário de exceção; é o cansaço da guerra. […] O homem almeja a paz quando já não aguenta lugar ou enquanto dura a memória do horror, que costuma ser curta e caracteriza a fase gloriosa dos processos civilizatórios fadados a terminar a guerra. Basta dar tempo ao tempo para que, recuperadas as forças, o entusiasmo se transforme em rancor, o homem se esqueça do que passou e se prepare novamente para o ataque exigido pelas circunstâncias de sempre mas que ele verá como novas e inesperadas.”

Comecei esse texto dessa forma para que vocês entendam a minha comparação com Atlas De Nuvens, do britânico David Mitchell, que foi uma das experiências mais estranhas que tive nesse ano, onde tive que encontrar palavras para justificar o porquê não consegui enxergar a excelência de uma obra que estava com uma grande aceitação pelo público. E, por mais que cada leitor tenha o direito de dar a nota que quiser para um livro, acho justo que a gente possa justificar isso. Pense que o autor gastou um tempo de sua vida para poder nos entreter durante alguns dias e, seja lá por qual motivo, odiamos a história e destruímos a chance das pessoas experimentarem a mesma sensação boa (ou ruim) que a nossa.

“Você não entendeu nada. Quando ele se diz culpado, não está assumindo culpa nenhuma, ao contrário. Quando ele diz que é culpado, está se eximindo da culpa. Só pode dizer que é culpado porque no fundo não sente culpa nenhuma. ‘Sou culpado’ é a frase perfeita, automática e vazia do irresponsável; é seu álibi, sua desculpa, além de ser uma contradição em termos. É a frase que define quem tem da culpa uma compreensão exterior, intelectual.”

Mas, vamos lá. Por que Simpatia Pelo Demônio tem grandes chances de não te surpreender? Talvez isso soe como uma psicologia reversa. Porque a minha nota para o livro foi 3 (bom) e diversos motivos podem te convencer a lê-lo, entre eles, a gramática de Bernardo, que é super contemporânea e não tem sotaques ou regionalismos que tornam a compreensão mais difícil.

No entanto, outros fatores devem ser levados em consideração. Os personagens principais não levam nomes comuns (Rato, Chihuahua e Palhaço) e confundem um pouco a cabeça do leitor. Rato, o protagonista da história, é um advogado que trabalha para uma agência humanitária que ajuda a libertar reféns dos grupos islâmicos. Enquanto espera o contato com os terroristas, se vê envolvido num triângulo amoroso entre ele, Chihuahua e Palhaço, onde o mundo perde as regras. É um amor tão irracional que destrói o amor-próprio e tudo o que é capaz de transformar o ser humano em algo bom.

Tudo isso que você acabou de ler nesse último parágrafo é um resumo da sinopse misturado com o que pode ser subentendido em Simpatia Pelo Demônio. Porque, na minha concepção, os acontecimentos narrados na história não têm uma linearidade e conexão entre si. Das duas, uma: eu estava desatenta ou realmente a compreensão do livro deixou a desejar. Eu só posso desejar que vocês tenham mais sorte do que eu.

“Os apaixonados acreditam em qualquer coisa, até mesmo que estão livres da paixão. Não é preciso ser nenhum neurologista ou neurocientista para saber que o amor romântico, como as drogas, é capaz de fazer com que gente inteligente cometa os atos mais estúpidos.”

Observação: terminei o curso de Jornalismo em julho de 2014. De lá pra cá, dediquei minha vida ao trabalho e a leitura, um por necessidade e outro por hobby. Tive dois anos para pensar se estava atuando numa área que eu realmente gostava e descobri que gosto sim, mas não para a vida toda. Por isso, decidi tentar me aproximar dos livros de alguma forma e planejei a possibilidade de voltar a estudar, escolhendo como opções os cursos de Letras, Editoração, Marketing ou Biblioteconomia.

Não sei porque estou compartilhando isso com vocês, mas queria que soubessem que o mercado editorial é apaixonante. Os livros têm uma capacidade de nos despertar sentimentos que não dá para explicar. E é por isso que, mesmo depois de uma decepção literária, eu não desisto: sempre dá tempo de começar uma outra nova história.

simpatia_pelo_demonio

Fonte: Skoob

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