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“Não sei nada. Mas minha suspeita plausível é de que a pobreza significa privação em todos os sentidos.”

Desde que conheci o rapper Emicida, tenho carregado comigo alguns versos para serem utilizados nas mais diversas situações. Uma das frases na canção “Triunfo” diz que “segunda chance é só no videogame”, mas, será que essa frase se encaixaria na literatura? Eu diria que a resposta é sim. Afinal, nem sempre existe amor à primeira vista, não é mesmo?

Em maio de 2015, me aventurei pelas narrativas do famoso autor britânico Ian McEwan. A obra se chama Solar e foi minha primeira experiência com um dos ficcionistas mais importantes da atualidade, onde seus livros renderam diversos prêmios literários. Confesso que meu entusiasmo foi por água abaixo, já que os capítulos iniciais são bem confusos e demoram para desenrolar.

“Algumas empreitadas estão fadadas ao insucesso desde o início, não por covardia, mas por sua própria natureza.”

Hoje, quase um ano e meio depois, tive a oportunidade de embarcar em outra narrativa de McEwan. Dessa vez, foi o mais recente lançamento da Companhia das Letras: Enclausurado. Dizem que não devemos julgar o livro pela capa, mas essa obra é o típico caso que você se interessa pelo título, pelo design e, para finalizar, também pela sinopse.

Imagine a seguinte história: um feto que, diretamente dentro da barriga de sua mãe, descobre as armações de seu tio (amante da mãe) com a dona do útero que o carrega armando um assassinato para matar o pai dessa futura criança, que é herdeiro de um imóvel valioso. A narrativa inteira é contada em primeira pessoa e tem muitas pitadas humorísticas, apesar do contexto totalmente policial.

“Antes de embarcar numa viagem de vingança, cave duas sepulturas, disse Confúcio. A vingança desfaz as costuras de uma civilização. É um retrocesso rumo ao medo visceral e constante.”

Ao contrário de Solar, Enclausurado cativa desde o início. Sua linguagem rápida facilita a leitura e McEwan transparece suas habilidades na escrita, além do fato de serem escolhidos apenas cerca de cinco personagens para o enredo inteiro. Existe um entretenimento indireto nas páginas que, apesar do final esperado, faz com que o leitor queira saber se esse assassinato realmente irá acontecer.  

A história de traição e interesses financeiros é bastante comum nas novelas, mas aqui McEwan conta a narrativa de outra forma, com outro ponto de vista e de modo envolvente. Quisera eu se todas as minhas segundas vezes fossem tão surpreendentes quanto essa daqui…

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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Um pensamento em “Enclausurado (McEwan, Ian)

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