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“O conhecimento é a cobra que criamos para nos picar.”

Foram poucas as vezes em que dei chance para os autores brasileiros na minha lista literária, seja por preconceito ou por desinteresse na cultura do País que nasci. Sempre fui fã da literatura norte-americana e britânica, por conta da fluidez e gramática utilizada pelos autores, que costuma ser bastante característica. Por isso, mais do que uma boa história, é preciso levar em consideração outros fatores.

Hoje, a minha análise e discussão é sobre Inferno Provisório, do brasileiro (e mineiro) Luiz Ruffato. Essa obra, que é uma edição única e definitiva dos cinco volumes – Mamma, Son Tanto Felice, O Mundo Inimigo, Vista Parcial da Noite, O Livro Das Impossibilidades e Domingos Sem Deus –, mostrando as realidades brasileiras desde a década de 50 até o início do século atual.

Os personagens são bem característicos: mineiros, paulistas e cariocas; ricos e pobres; amantes e mal amados; espertos e ignorantes; todos tentando se mostrar visíveis em meio a uma sociedade que desfavorece aquele que não teve as mesmas oportunidades e condições para andar de terno e gravata na Faria Lima em vez de fábricas. Inferno Provisório nada mais é que um espelho da vida do proletário, mostrando que a pobreza é uma realidade da maioria.

Questões desde o êxodo rural e da criação de cidades industriais, transformando assim as zonas rurais em espaços vazios e ocupando os centros urbanos, a fim de entender as mudanças que somos obrigados a acompanhar as mudanças comportamentais da grande população para não ficarmos fadados a uma vida sem avanços.

Entre os pontos importantes que eu gostaria de destacar nesta obra de Ruffato é a estrutura linguística usada para dar voz aos personagens. Muito se fala sobre o português falado e o escrito, que são completamente diferentes e podem sofrer influência de acordo com a região do Brasil. Em Inferno Provisório, vemos que os brasileiros ali retratados têm liberdade linguística para falar “lonjura” em vez de “longe” ou então para falar “peleja” em vez de “brigas”. Apesar de serem sinônimos e parecem termos estranhos para alguns, as palavras e sotaques na obra só confirmam a diversidade do nosso País.

Porém, existe um outro ponto importante para ressaltar: a obra é cansativa. Formada por parágrafos extensos, por fontes pequenas, por falta de diálogos e também por conta das descrições detalhadas, é preciso afirmar que Inferno Provisório vai te tirar do sério em diversos momentos, fazendo com que você deseje, por diversas vezes, nunca ter começado ela. Mesmo assim, a edição definitiva de Ruffato é um verdadeiro mosaico formado por histórias que você dificilmente não irá se reconhecer em alguma delas. Boa sorte em sua leitura

Fonte: Skoob

Fonte: Skoob

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