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Semana passada, tivemos mais uma comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Desde que comecei a trabalhar na área de Comunicação há mais de cinco anos atrás, pude acompanhar uma mudança nos discursos sobre a data. O que antes parecia apenas uma homenagem à mulher só por ser mulher, hoje temos uma causa muito maior por trás. E podemos ver essa mensagem nas propagandas, nos livros, nas ruas. É realmente muito bacana ver que nós, mulheres, estamos ganhando mais espaço e força.

Despretensiosamente, minha última leitura foi o livro A Cor Púrpura, da americana Alice Walker. Para quem não sabe, essa obra é um romance feminista e rendeu o Prêmio Pulitzer de Literatura em 1983 para a autora. A obra narra a trajetória de uma mulher negra em um país racista, como os Estados Unidos do início do século XX, não que a realidade atual dos EUA seja muito diferente do passado.

Uma das principais característica que você irá se deparar com esse livro é a linguagem regionalista dos personagens, que lembra bastante o sotaque de pessoas do interior e aproxima ainda mais o leitor da história. Aqui, temos Celie, que narra A Cor Púrpura de forma epistolar e conta como é ser mulher, negra, jovem, violentada pelo pai e mãe de duas crianças. Do outro lado, temos sua irmã, Nettie, que é separada de Celie e doada como escrava ao Sinhô, um homem conhecido por suas paixões violentas.

“Amém, ele falou. Aí ele falou uma coisa que de verdade me deixou surpresa porque foi tão refletido e cheio de sentido. Quando se trata do que as pessoa fazem junto com o corpo delas, quem é que vai saber como são as coisa. Mas quando se trata de amor, eu sei como é. Eu amei e fui amado. E eu agradeço a Deus por ele ter feito eu compreender que o amor num acaba só porque tem gente que range os dente.”

Em forma de cartas, Celie conta seu dia a dia infeliz, mesmo sabendo que sua irmã Nettie está impossibilitada de responder. Às vezes, desabafa com Deus, na esperança de ter suas preces ouvidas. No decorrer das páginas, vemos vários episódios de racismo e machismo e, em contrapartida, a força da amizade, do feminismo e do amor. Afinal, será que é possível manter a sanidade em um mundo assim?

Diariamente, vivemos e ouvimos relatos de situações que não se distanciam muito do cenário elaborado por Alice Walker. Quantas coisas já aconteceram com você e nada mais eram do que A Cor Púrpura retratando sua vida? Ser abandonada, maltratada, rebaixada… Será mesmo que vivemos em uma sociedade igualitária onde não somos julgadas pela cor do batom ou pelo comprimento da roupa? Seja no trabalho, na balada e às vezes até na sua própria casa. Triste realidade.

Observação: em 1985, o diretor Steven Spielberg adaptou o livro para a obra cinematográfica de mesmo nome, com elenco de grandes atores como Oprah Winfrey, Whoopi Goldberg e Danny Glover. O filme recebeu 10 indicações ao Oscar de 1986, mas acabou não levando nenhum troféu para casa, perdendo para Entre Dois Amores, do americano Sydney Pollack.

“Eu comecei a imaginar porque a gente precisa de amor. Porque a gente sofre. Porque a gente é preto. Porque tem homem e tem mulher. De onde as criança vêm mesmo. Num demorou muito pra discobrir queu quase num sabia nada. E se você pergunta porque você é preto ou é um homem ou uma mulher ou uma moita isso num quer dizer nada se você num pergunta porque é que você tá aqui, pronto.”

A Cor Púrpura

Fonte: Skoob

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