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Raul Seixas dizia que preferia ser uma “metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Assim como ele, também acho que as evoluções constantes pelas quais passamos na vida são importantes para formar nosso senso crítico. Uns seis anos atrás, gostava de dizer que o ser humano criava maturidade de acordo com o que escolhia para ler. Logo eu, que já fui leitora de Capricho e de Cinquenta Tons de Cinza, e hoje sou aquela que lê e dá preferência por quem ganhou prêmios.

Existe uma explicação para isso? Bom, vejamos. Quando comecei o Pitacos Culturais, um dos meus autores preferidos era o americano Charles Bukowski. Isso me fez ter interesse por tudo o que fosse similar à geração beat, como os escritores Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs, que é a estrela principal da resenha de hoje. Queer, que significa “bicha”, foi escrito em 1952, mas publicado em 1985, trazendo a Cidade do México como cenário da história de Lee, personagem que aparece em outros livros do autor (Junky e Almoço Nu).

Mais uma vez, as drogas e o álcool, que são característicos desse tipo de literatura, aparecem nas páginas de Burroughs. Enquanto Junky era sobre a luta de um narcótico para se livrar de um vício, temos em Queer uma crise de amor sendo suprida e alimentada com álcool. Lee, que se apaixona por Allerton, decide partir para uma cidade em busca de ayahuasca, uma droga que é a sensação da década de 50 e de interesse de Allerton. Os relatos, que são autobiográficos, mostram os momentos de insanidade e de um corpo viciado em drogas e cansado de sofrer preconceitos por ser homossexual.

A principal reflexão que temos é: como um tema de meio século atrás ainda pode ser tão coerente com as visões do mundo atual? Acredito que, quando Burroughs decidiu escrever Queer, ainda havia uma esperança de que inventariam um jeito das pessoas viverem numa sociedade igualitária. Dá para acreditar que ainda estamos vivendo em meio de pessoas onde a representatividade homossexual ainda não é tolerada?

Outra discussão que podemos levantar aqui é sobre os valores e conceitos que estamos tendo sobre o amor. Afinal, quais os limites para esse sentimento e até quando devemos nos submeter a situações de risco para agradar quem temos interesse? Aqui, temos Lee, um homem apaixonado por outro homem, Allerton, que decide se aproveitar desse sentimento cego e o convence a entrar no mundo do álcool e das drogas.

Como o livro é curto, seria injusto acrescentar aqui mais alguns detalhes que caracterizam a escrita única de Burroughs. Só queria pedir que dessem uma chance para esses autores que escrevem sobre a geração beat, pois são imprescindíveis para mostrar uma América que você não conhece ou nunca viu. Mesmo a leitura sendo um pouco “mais do mesmo”, vale ressaltar que os 14 anos de vício em drogas e álcool não influenciaram na longevidade do autor, que pode contar suas histórias insanas por 83 anos. Beber não é para os fracos.

QUEER

Fonte: Skoob

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