Home

Aproximadamente 100 anos atrás, estava em curso a Revolução Russa, um feito que marcou a história mundial para sempre. A União Soviética era liderada pelo absolutista do Czar Nicolau II, que desagradava o povo, mas que, em contrapartida, este desejava uma liderança menos opressiva e mais democrática. Além disso, a União Soviética passava pelo processo de recém-industrialização e estava sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, onde podíamos identificar uma Rússia com uma grande massa de operários e camponeses trabalhando muito e ganhando pouco.

A Revolução Russa de 1917 foi um período de conflitos que derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin. É de extrema importância que você conheça minimamente essa prelúdio para que os relatos da vencedora do Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Aleksiévitch, em  O Fim Do Homem Soviético, penetre ainda mais você, caro leitor.

“O dinheiro virou sinônimo de liberdade. Isso mexeu com todo mundo. Os mais fortes e agressivos abriam um negócio. Esqueceram de Lênin e Stalin.”

Aqui, a autora busca desde o início de seu livro recontar, através da oralidade (ouvindo relatos, anotando ou gravando-os), todas as lembranças de ter vivido as trocas de governo, desde a União Soviética até a atual Rússia. O mais interessante é que Aleksiévitch apresenta um painel muito rico de personagens: são russos de todas as idades, de ambos os sexos e de diversos cantos do país; todos à disposição para recontar as suas histórias. Sua pesquisa levou desde o começo de 1991 até o ano de 2002, reunindo todos os relatos de uma verdadeira mestre na arte da conversa e sendo uma excelente ouvinte para poder adentrar na intimidade da vida de cada um dos seus entrevistados.

“Eu nasci soviética… Nossa avó não acreditava em Deus, mas acreditava no comunismo. Nosso pai esperou até o fim da vida a volta do socialismo. Já tinha caído o Muro de Berlim, a União Soviética tinha desmoronado, e ele mesmo assim continuava esperando.”

Sinceramente, não importa muito qual seja a sua visão política. Caso você tenha alguma (ou se não tiver) ou até quem sabe estiver buscando argumentos para embasar alguma visão, você encontrará nesse livro publicado pela Companhia das Letras. Eu acredito que, ainda assim, você deva ler esse compilado de histórias e, assim, nem que seja por segundos, adentrar ao mundo dessas pessoas que abriram sua vida e contaram como eles se sentiram. Eu tenho certeza você não irá se arrepender.

Gosto muito de uma frase da autora que diz: “Não faço perguntas sobre o Socialismo, mas sobre o amor, o ciúmes, a infância e a velhice”. É dessa forma que Aleksiévitch consegue arrebatar-nos para o mundo dessas pessoas que, às vezes, iremos ficar consternados pelas suas histórias e nos emocionar com outras.

Não importa qual seja o sentimento que O Fim Do Homem Soviético causará em você. Para mim, ela é uma daquelas autoras e esse é um daqueles livros que merecem ser lidos por pessoas curiosas sobre a história da humanidade e por si mesmo.

Resenhista: Lucas Gonçalves

O Fim Do Homem Soviético

Fonte: Skoob

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s