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Muitas pessoas ficam impressionadas quando digo que não tive uma infância rodeada de livros. Apesar de ser uma leitora voraz atualmente, a minha primeira década foi acompanhada de gibis, revistas e jornais, bem como uma tentativa fracassada de ler Harry Potter e a Pedra Filosofal aos nove anos e uma aventura divertida com O Diário de Tati.

Coincidentemente, terminei hoje, no Dia Internacional do Livro Infantil, a leitura de Os Meninos Da Rua Paulo, do escritor húngaro Ferenc Molnár. Fazia um bom tempo que não lia algo tão rápido e divertido ao mesmo tempo, pois, mesmo sem uma infância tão emocionante como a dos personagens da história, trago comigo muitas lembranças bacanas sobre esse período da minha vida.

Vi muitas críticas positivas sobre a obra mais famosa de Molnár. Publicada em 1907, Os Meninos Da Rua Paulo contam a história de crianças e adolescentes em sua forma mais pura. Meninos que, todas as tardes, depois da escola, se reúnem para jogar pela (espécie de bola utilizada num jogo que lembra o tênis, pronunciando-se péla) e proteger o lugar secreto que costumam se encontrar.

Assim como os militares, eles se dividem em funções – que vão desde capitão e soldado raso -, garantindo assim a organização dessa sociedade que apenas os merecedores podem participar. Entre eles, temos Boka, Csele, Csónakos, Kende, Kolnay, Weiss, Geréb e Nemecsek, que se mantêm unidos para sempre verem a bandeira vermelha e verde hasteada em seu espaço. Como era de se esperar, o grupo de crianças tem um inimigo, os “camisas-vermelhas”, que vivem ameaçando o comando do lugar na rua Paulo.

A cada página, é possível sentir o sabor da infância em Os Meninos Da Rua Paulo. Para mim, que fui uma criança na década de 90, posso dizer que o livro retrata o melhor período de nossas vidas de uma forma atemporal. Pois, mesmo não tendo um grupo de amigos e inimigos, eu tive os meus melhores parceiros para os primeiros anos escolares, assim como tive algumas pessoas que não gostava e sempre tinha aquela birra.

Acho que o principal ápice de Molnár nessa obra é a coragem de escrever um livro infantil sem final feliz. Em meio a tantas estórias que tentam nos ensinar uma lição de moral por meio de um final feliz, Os Meninos Da Rua Paulo têm uma missão de amizade, cumplicidade e heroísmo bem diferente do que vimos por aí. Talvez seja por isso que seu livro seja um dos mais aclamados da literatura infantil na Hungria, mostrando que a determinação em manter a posse de um território na infância pode nos ensinar muitas lições na vida adulta.

Outro ponto importante de Molnár está no julgamento que comumente fazemos, sem levar em consideração os sentimentos dos outros. Aqui, Os Meninos Da Rua Paulo trazem como principal lição: a importância do perdão e da justiça, e da compreensão que devemos ter com as características que cada ser humano tem mais evidente, seja o medo, a coragem ou até mesmo a impaciência. O que a gente precisa é de um mundo com mais meninos da rua Paulo: com crianças que não se esquecem da simplicidade e da responsabilidade de fazer com que o mundo seja cada vez melhor.

Leitura recomendadíssima e com ótima reedição da Companhia das Letras, contando com ilustrações e um posfácio muito bem escrito. 

Os Meninos Da Rua Paulo

Fonte: Skoob

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2 pensamentos em “Os Meninos da Rua Paulo (Molnár, Ferenc)

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