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A Montanha Mágica - Thomas Mann

Oitenta e nove dias. É isso mesmo. Precisei de exatamente 89 dias para finalizar a leitura da aclamada obra-prima da literatura universal, A Montanha Mágica, do escritor alemão Thomas Mann. Recebi a mais nova edição da Companhia das Letras em parceria com a editora e jamais pensei que precisaria de quase três meses para terminar um livro de 848 páginas. Densidade é a palavra que define esse romance.

No início, A Montanha Mágica parecia ser uma narrativa rápida. Logo nos primeiros capítulos, conhecemos o personagem principal de Mann: o jovem engenheiro Hans Castorp, que decide morar com o seu primo, Joaquim Ziemssen, em um sanatório para tuberculosos no alto de uma montanha dos Alpes Suíços. O que deveria ser uma simples visita, se transforma em uma estadia de sete anos. Dias, semanas e meses se passam quase com a mesma velocidade de leitura e, de repente, você até se perde e não sabe mais quanto tempo se passou.

É importante lembrar que assim como a quantidade de páginas, Mann não economiza na quantidade de personagens em A Montanha Mágica. Acima de tudo, a narrativa é uma história constante de vida e morte, além de acontecimentos que acontecem com Hans Castorp durante a sua estadia inesperada no Sanatório Internacional de Berghof que, infelizmente, existe apenas na literatura.

Gostaria de ter feito mais anotações durante a leitura, mas são poucas as coisas que consigo resumir dessa experiência única. Precisamos confessar que A Montanha Mágica é, sim, uma leitura para poucos, o que não significa que sou melhor do que os outros por tê-lo em minha lista. Mann é cansativo e a história de Hans Castorp nada mais é que um relato de poucos diálogos, com parágrafos densos e personagens com níveis de importância e desimportância no mesmo patamar.

Entretanto, é preciso admitir que a forma de Mann para relacionar a doença com outros temas, como a arte, o amor, o tempo e a morte, é realmente fascinante. Em contrapartida, confesso que A Montanha Mágica é uma obra que não me fez absorver muitos sentimentos, exceto o de cansaço e monotonia. Não consigo nem resumir a importância de cada um dos personagens que, por mais breves que sejam, marcaram a obra de alguma forma.

A verdade é que a rotina é a verdadeira companheira de Castorp e o autor peca pelo excesso. Acredito que nem mesmo a minha segunda experiência com Mann foi capaz de me fazer mudar de ideia sobre o vencedor do Nobel de Literatura em 1929. A complexidade realmente é uma marca do escritor, assim como em Morte Em Veneza. Teste sua paciência.

Por ser um livro denso, nada mais justo do que reunir os melhores trechos que encontrei entre as 848 páginas:

“Pois todo o caminho que trilhamos pela primeira vez é muito mais logo que o mesmo caminho quando já o conhecemos.”

“É mesmo curioso como o tempo, no começo, parece longo a quem se encontra num lugar estranho. O sintoma da doença nada é senão a manifestação disfarçada da potência do amor; e toda doença é apenas amor transformado.”

“Não existia a menor dúvida quanto à questão de saber qual das duas forças terminaria por triunfar; só poderia ser a da luz, a do aperfeiçoamento guiado pela razão.”

“A dor é pungente; contém um elemento degradante, como toda dor, e representa tamanho abalo do sistema nervoso que embarga a respiração e é capaz de arrancar de um homem adulto lágrimas amargas.”

“A língua é a própria civilidade… Toda palavra, mesmo a mais antagônica, é muito vinculativa… Mas o mutismo, este isola.”

“[…] Enquanto existimos, não existe a morte, e quando ela existe, nós já deixamos de existir.”

“O equívoco torna-se, pois, plenamente unívoco, uma vez que o amor não pode ser separado do corpo, nem sequer no auge da piedade, tal como não é ímpio nem nos momentos de carnalidade extrema. O amor continua sempre sendo ele mesmo, tanto sob a forma de conduta amistosa em face da vida como sob a forma da mais sublime paixão; é a simpatia pela espera orgânica, o abraço comoventemente voluptuoso daquilo cujo destino é apodrecer. Decerto há caritas até na paixão mais furiosa e na paixão mais referente. Sentido ambíguo? Pois que seja ambíguo o sentido do amor! Nessa indistinção se manifestam a vida e a humanidade. Revelaríamos uma desoladora falta de “malícia”, se nos inquietássemos diante dessa ambiguidade.”

“Via coisas inquietantes, perniciosas, e sabia o que via diante de si: era a vida sem tempo, a vida sem cuidados nem esperanças, a vida como abjeção que se move à medida que estagna, a vida morta.”

A Montanha Mágica

Fonte: Skoob

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