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Uma Vez - Morris Gleitzman

Sou a favor da ideia de que cada leitor possa montar sua lista de livros de acordo com os gêneros literários preferidos, mas, sempre vi um ponto negativo nisso. Além de perdermos o senso crítico, a rotina e o hábito se tornam cansativos. Por isso, acredito que a minha resenha sobre o best-seller australiano Uma Vez, do escritor Morris Gleitzman, esteja sob fortes influências da leitura de Quarto, da irlandesa Emma Donoghue.

As duas histórias têm em comum os personagens principais, que são crianças que sofreram algum tipo de violência, seja ela física ou moral. Aqui, temos o menino Felix Salinger, um judeu que vive na Polônia durante o período do nazismo e que adora escrever e contar histórias, estando sempre acompanhado do seu caderninho.

Já faz três anos e oito meses que Felix vive em um orfanato católico, esperando seus pais virem buscá-lo. Um dia, viu soldados nazistas queimando livros e sentiu que sua família, donos de uma livraria, estavam em perigo. Sendo assim, decidiu fugir para tentar ajudá-los. A imagem cruel que ele tem do mundo exterior é completamente diferente da que estava acostumado, fazendo com que sua inocência de criança seja uma marca registrada nos acontecimentos mais cruéis da narrativa.

Confesso que estava um pouco enjoada de narrativas de personagens infantis. Terminei a leitura de Quarto e não imaginava que iria emendar numa história similar, mas Uma Vez consegue surpreender a cada capítulo. O texto é simples e com muitos diálogos, deixando bem nítido que a criança que narra já tem um nível de maturidade. Apesar de Gleitzman não ter vivenciado o período do Holocausto, a história flui bem e causa sensibilidade, desde os momentos de coragem, tristeza, fraqueza e medo.

Costumo dizer que não gosto de livros com finais felizes, mas o destino reservado para o menino Felix e todos aqueles que ele encontrou durante sua jornada é reconfortante. Mais do que tudo, Uma Vez é a mais pura delicadeza e, ao mesmo tempo, a mais feroz, nos fazendo refletir sobre a intolerância, o racismo, a violência e o abuso de poder. Também é preciso ressaltar a importância da amizade, um dos elementos mais visíveis no livro de Gleitzman. Merece um espaço na sua estante!

“Todo mundo merece ter alguma coisa boa na vida pelo menos uma vez.”

Uma Vez

Fonte: Skoob

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