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Em Águas Sombrias - Paula Hawkins

Quando paro para pensar na leitora que eu era há seis anos e na leitora que tenho me transformado nos últimos meses, percebo o quanto evoluí. Ser parceira literária de editoras nos faz mudar a percepção e o conceito que temos dentro de nós. Isso inclui abrir mão de muitas coisas e também coragem para experimentar alguns novos mares que eu tenho certeza que jamais mergulharia.

Um exemplo disso é a obra Em Águas Sombrias, da britânica Paula Hawkins. Justamente porque ela foi best-seller de A Garota No Trem, o que me fez subentender que ela seria apenas mais uma autora que “caiu no gosto do povo”. Mas, confesso que me surpreendi muito com a escrita e a narrativa dela. Apesar de sentir que a história é um pouco voltada para adolescentes, consegui enxergar bastante maturidade no livro.

“Dor, choque, isso afeta as pessoas de formas estranhas. Eu já vi gente reagir a más notícias com risos, com aparente indiferença, com raiva, com medo.”

Em Águas Sombrias é intitulado como romance, mas tem uma pegada forte de romance policial. Temos aqui a história de duas irmãs que estão brigadas e de uma série de suicídios que estão acontecendo no famoso Poço dos Afogamentos. Danielle Abott, mais conhecida como Nel, é encontrada morta e Jules, sua irmã, é obrigada a voltar para sua cidade, se vendo presa a lembranças desagradáveis e uma sobrinha adolescente e órfã para cuidar.

A história tem um sabor de cidade pequena. As mortes são cercadas de suposições e fofocas, como todas elas são. A quantidade de personagens não assusta, mas é suficiente para deixar qualquer leitor com dúvidas. Aquele que parece inocente, pode ser o principal suspeito. E sabe o que é mais legal? Descobrir que você esteve enganado o tempo todo e ainda sentir aquele gostinho de quero mais!

“As coisas são do jeito que são, do jeito que sempre foram. Elas não podem ser diferentes.”

Entretanto, confesso que a forma de escrita literária de Hawkins me incomodou um pouco. Cada personagem é o responsável pela narrativa do capítulo, com o contexto sempre em primeira pessoa. Em alguns momentos, achei um pouco confuso e preguiçoso por parte da escritora, pois a narrativa se constrói com muitos diálogos e poucas descrições.

Mais do que tudo, Em Águas Sombrias é sobre o passado. É sobre quem quer apagar as feridas fechando os olhos; é sobre quem esconde segredos. Uma narrativa em formato de montanha-russa, com um final que supera as expectativas e agrada até os mais exigentes, como eu.

Em Águas Sombrias

Fonte: Skoob

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