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Sonhos em Tempos de Guerra - Thiong’o

Começo a resenha de hoje com uma importante reflexão: as memórias que você tem da sua infância são boas ou ruins? Para o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o, nem as 248 páginas seriam capazes de narrar tudo o que ele vivenciou no que deveria ser o melhor período de sua vida. Sonhos em Tempo de Guerra é o primeiro volume das memórias desse premiado escritor que nasceu no fim da década de 30, em um dos piores cenários políticos do Quênia, país que foi comandado pelo Império Britânico de 1920 a 1963.

“Mas por que alguém se recorda vividamente de alguns eventos e personagens enquanto de outros não? Como a mente é capaz de selecionar aquilo que se sedimenta fundo na memória e aquilo que ela permite flutuar na superfície?”

Como o próprio subtítulo do livro indica, Sonhos em Tempo de Guerra é um compilado das memórias da infância de Thiong’o com sua grande família, formada por seu pai, suas quatro esposas e seus 24 filhos. Um número que impressiona, mas, como sabemos, é muito comum em países da África.

Durante a década de 30, a principal fonte de renda era a produção rural, portanto, o cenário principal das narrativas do escritor estão no campo e acerca das dificuldades em sobreviver dessa forma, já que o Quênia estava sendo invadido por homens brancos e a escolha do que plantar e colher não estava mais nas mãos dos quenianos.

“A crença em si mesmo é mais importante do que intermináveis temores acerca do que os outros pensam de você. Valorize-se, e os outros irão valorizá-lo. A melhor legitimação é a que vem de dentro.”

Em meio a esse trabalho árduo, Thiong’o descobre um amor pelas palavras, pelas histórias e, mesmo com todas as dificuldades, decide frequentar a escola com o apoio de sua mãe e irmãos. As longas caminhadas até a sala de aula não foram motivos para que o escritor desistisse de aprender a ler e escrever em inglês e no seu idioma nativo, o gĩkũyũ.

Se não fosse o seu esforço, não poderíamos desfrutar hoje de suas histórias, que desejamos muitas vezes que fossem relatos ficcionais, pois a maioria de suas memórias são tristes. Entre os destaques, está uma que me marcou: quando o querido homem para quem escrevia cartas falece, mostrando a fragilidade das relações que criamos durante a vida. Até os corações mais peludos não resistirão a tamanha sensibilidade. Por que você resistiria?

“Talvez sejam os mitos, tanto quanto os fatos, que mantenham os sonhos vivos mesmo em tempos de guerra.”

Observação: Thiong’o foi um dos mais cotados para receber o Prêmio Nobel de Literatura em 2010, mas o premiado foi o peruano Mario Vargas Llosa. Em 2015, o escritor esteve no Festival Literário de Paraty (Flip). Ou seja, não faltam motivos para conhecê-lo!

Sonhos em Tempo de Guerra

Fonte: Skoob

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